domingo, 16 de julho de 2017

AS RELIGIÕES E AS EXIGÊNCIAS DO MUNDO


Historicamente, é uma realidade o fato de que as religiões e escolas espirituais passam por fases ou ciclos de atividades. Há uma certa evolução, transformação e adaptação teológica, filosófica, cultural e sócio-político-econômica conforme o passar do tempo e pela pressão do Plano Divino.

Como aqui se trata de um tema referente à religião, filosofia e escolas espirituais ou iniciáticas, não quer dizer que tal fato, ou seja, as transformações, não ocorram na ciência, arte, psicologia, comportamento, política, economia, linguística etc.

Cabe aqui refletir sobre o por quê a crescente preocupação teológica e educacional para com o meio ambiente, ecologia e outras situações de vida; sobre o por quê um Dalai Lama nos aconselha a pensarmos no desafio dos nossos tempos e que desenvolvamos um sentido de responsabilidade universal; sobre o por quê de um movimento geral de boa vontade mundial esteja cada vez maior e mais operante no mundo.

Por ser uma organização antiga, conhecida e histórica cito, por exemplo, a Igreja. Nela observamos três períodos definidos:

- o período pré-constantiniano, onde vivia mais voltada à espera do "fim" e da salvação, pouco importando-se a respeito do porquê de estar mundo;

- o período constantiniano e pós-constantiniano, onde o misticismo e a experiência sacral lutavam para escapar da realidade temporal do mundo;

- o período atual, onde não há um choque ou conflito entre o sacral e o mundo, mas sim um crescente senso de responsabilidade global.

Nota-se, pois, que a Igreja viveu inicialmente um período de indiferença ao mundo; em seguida um período de protegida e protetora de instituições humanas por questões de sobrevivência e conveniências, porém, o enfoque era místico e de fuga do mundo; e, logo após, um período, ainda em curso, de responsabilidade social e espiritual. Obviamente aqui estou me referindo às Igrejas católicas, ortodoxas e protestantes históricas; não me refiro aqui às igrejas-negócios, ao evangelismo, pentecostalismo etc. atual cujos propósitos tão bem sabemos e que nem vale a pena comentar. Claro fica, também, que a Igreja católica nem sempre foi exemplo de virtude, entretanto, foi modificando seus caminhos ao longo dos anos. Cabe observar ainda que o exemplo da Igreja se aplica, de diversas maneiras e semelhanças, a praticamente todas as outras religiões do mundo, inclusive abrange, em certo sentido, às várias organizações místicas, esotéricas e iniciáticas.

Prosseguindo, pensemos na cruz grega, a cruz de braços iguais em tamanho. Ela pode simbolizar e nos mostrar a realidade atual, o método e o nosso desafio espiritual: o equilíbrio entre o recebimento da Luz e a responsabilidade global; o receber e o dar; a fé e as obras; o caminho espiritual e o mundo com suas necessidades; o não-conflito entre o sacral e o temporal, o espiritual e o material.

Refletindo nisso tudo, cabe a nós a seguinte questão: estamos preparados para essa realidade que nosso tempo exige, ou estamos presos a conceitos e preconceitos estanques do conservadorismo e das interpretações literais das várias escrituras sagradas do mundo? Estamos dispostos a perceber as exigências do Plano Divino a cada momento e que ele é dinâmico?

Eis um desafio sério e profundo que se nos apresenta a cada momento de nossas vidas.





Prof. Hermes Edgar Machado Junior (Issarrar Ben Kanaan)






Fonte da Gravura:
https://pixabay.com/pt/dna-h%C3%A9lice-curva-ci%C3%AAncia-medicina-869109/

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