terça-feira, 4 de julho de 2017

DESAPEGO - A LIBERTAÇÃO DOS ANSEIOS


É muito comum o fato de renunciarmos aos prazeres e ambições do mundo e adquirirmos, por outro lado, outros prazeres e ambições, geralmente disfarçados de espirituais e de tradições, não se dando conta da conduta teatral ou hipócrita. Habitualmente assim agimos, pensando que somos desprendidos do mundo, adotando posturas e comportamentos anacrônicos no vestir, no falar e no agir.

Por vezes manifestamos apego a uma devoção, a um livro, a um sistema de espiritualidade, a um método de meditação, às graças da oração, à virtudes e à coisas que são, realmente, positivas e benéficas. Mas, assim mesmo, corremos o risco de nos deixar cegar e fanatizar por tais atitudes.

A própria procura por paz interior é uma criação e apego; prazeres que buscamos no espiritual. Estar apegado e dependente dos "ismos" e "prazeres" espirituais é o mesmo, portanto, do que estar preso a um imoderado apego por quaisquer outras coisas. Ficamos cegos pelo desejo de chegar a um fim, a uma ávida fome de resultados, de visíveis êxitos. Tornamo-nos peritos na arte de nos iludir e não nos damos conta de que é o nosso eu pessoal, a personalidade que está tentando, disfarçadamente, salientar-se a si mesma e perante aos outros.

Esquecemo-nos totalmente que a tranquilidade e a paz interior só são alcançadas quando nos desapegamos do mundo, ou seja, quando chegamos a uma atitude desapaixonada em relação ao prazer, à dor, às formas de bem e de mal. O desapego deve substituir a dor e o prazer. Só assim nossas funções sensoriais e elevados sentidos da alma desempenharão suas reais funções.

Devemos nos libertar do anseio por todos os frutos e objetos do desejo, quer terrenos, quer tradicionais, quer espirituais, em qualquer momento.

Pela despaixão e desapego, o aspirante e servidor fica livre de efeitos cármicos resultantes de sua atividade e torna-se possível reorientar-se, de modo que sua atenção não seja mais atraída para o exterior pelo fluxo de imagens mentais, mas seja retirada e fique dirigida exclusivamente sobre a pura realidade atemporal.

Urge que nos desapeguemos de todas as formas de percepção sensorial, tanto a superior como a inferior. Devemos ser indiferentes ao pequeno eu-personalidade.

O recolhimento é impossível para o homem dominado por todos os imprecisos e flutuantes anseios de seu próprio desejo. Tais anseios, mesmo que elevados, se não deixarem de ser interesseiros e apegados aos frutos das ações são impedimentos, ânsias e ansiedades que nos afastam da verdade e do caminho real.

Não podemos atingir a real paz interior e um crescimento pleno se não nos desprendemos e nos desapegamos até mesmo do desejo de ter paz e recolhimento espiritual, pois isso, por si mesmo, já gera uma ansiedade e um certo desconforto.

Parece que há uma só maneira de avançarmos: a renúncia a todos os desejos e o deixar levar-se, naturalmente, pela Vontade de Deus; Ele nos dará o recolhimento e a paz, mesmo entre as lutas e provações. O caminho que leva a Deus atravessa profundas trevas onde todo o conhecimento, todo o prazer, toda a alegria são aniquilados e absorvidos pela transbordante pureza da luz e Presença de Deus.

O que conhecemos, o que podemos possuir e desejar através das nossas faculdades poderá ser, conforme nossas intensões e uso, um certo obstáculo à pura "posse" do Divino no nosso interior.

Tudo isso, é lógico, não invalida nossas buscas, pesquisas, aspirações e crescimento material, psicológico e espiritual. O que deve ser entendido é que o processo deve ser natural, sem fanatismos, sem apegos, sem presunções e sem hábitos e cristalizações.

Essa é a razão pela qual de tudo devemos nos desapegar e nos libertar. Devemos estar acima de qualquer posse e alegria para alcançar a genuína "posse e gozo de Deus", pois se nos ligarmos demasiadamente nos "acidentes" corremos o risco de perder o que é essencial, o verdadeiro objetivo. Portanto, não troquemos o fim pelos meios para que entendamos, finalmente, a diferença entre "ter" e "ser", e assim, com humildade e despretensão, vivermos na real Presença Divina.




Prof. Hermes Edgar Machado Junior (Issarrar Ben Kanaan)






Fonte da Gravura:
https://pixabay.com/pt/nuvem-necessidades-desejos-anseios-705732/

CONHECIMENTO DIGNO


Nossos conceitos (e preconceitos) colorem e provisionam a maior parte do material de nosso pensamento. Sendo assim, como podemos nos assegurar de que nossas suposições básicas são corretas e que construímos através de um conhecimento correto?

Podemos ter essa segurança, segundo a ciência espiritual, somente quando nos basearmos no "ser", que é a realidade essencial. Assim estaremos baseados na verdadeira natureza, imaculada, sem o colorido da ilusão das preferências e sem enfoque no impermanente.

O conhecimento incorreto advém da percepção unicamente enfocada na forma, nos aspectos externos, no "ter", no ilusório e transitório, no impermanente. Eis a gênese do conhecimento errôneo e falso.
     
Para um conhecimento correto é necessário uma percepção, dedução e evidência corretas. Uma vida baseada no "ser".

Portanto, só conseguiremos esse conhecimento real a partir da meditação, estudo, concentração, reflexão e análise isentos de preconceitos, presunções, tradições e tudo mais que possa obstaculizar o pleno crescimento e evolução. Desse modo estaremos elevando o conhecimento para o nível de sabedoria.




Prof. Hermes Edgar Machado Junior (Issarrar Ben Kanaan)





Fonte da Gravura:
https://pixabay.com/pt/para-o-ebook-conhecimento-l%C3%A2mpada-1293294/