sábado, 17 de junho de 2017

ESCRITURAS SAGRADAS


Um aspecto pouco lembrado quando estudamos a Torá (Pentateuco) é que o povo judeu foi subjugado mais de uma vez por outras nações (Assíria, Babilônia, Egito etc.). É compreensível, portanto, que no cativeiro o povo judeu teve contato com o folclore desses outros povos e, num processo muito natural, acabou incorporando elementos estrangeiros ao seu.

A Gênese, por exemplo, é visivelmente uma interpretação ou visão da saga de Gilgamesh (Babilônia). Sabemos que grandes enchentes e catástrofes ocorreram (como sempre ocorrem) em vários pontos do planeta. Praticamente todas as culturas antigas falam de uma grande cheia e, a partir desse fato, nasceram muitas histórias, narrações e mitos simbólicos.

Tendo em vista a degradação moral, mental e espiritual dos povos daquela época e a ocorrência de uma grande enchente (ou várias enchentes), a associação tomou um sentido moral e teológico. Assim, em todas as tradições e mitos o homem era purificado de sua degeneração, colhendo dos males que ele mesmo plantou, pela ação dos elementos, no caso em questão, a água. Esta assume uma qualidade de purificadora e restauradora.

Mas o mais importante em todas as narrativas e mitos simbólicos é que acabam por esclarecer diversos aspectos da caminhada humana. A lenda ou narrativa do "dilúvio", nos mostra, claramente, dentre inúmeras interpretações e ensinamentos válidos, duas lições.

A primeira delas é que a natureza (o Criador) sempre preserva a criação (numa "arca", no caso bíblico), ou o melhor da criação, em todas as circunstâncias.

A segunda lição que podemos tomar é que quando momentos caóticos ("diluvianos") acontecem na vida humana, precisamos nos "salvar" construindo uma "arca", ou seja, um espaço interior para análise, reflexão e tomada de novos rumos na vida. O mesmo acontece com a humanidade como um todo.

Os mitos, parábolas e alegorias de todas as escrituras do mundo são ricas em ensinamentos desde que não tomadas literalmente, ou se transformem em bibliomania ou bibliolatria.





Prof. Hermes Edgar Machado Junior (Issarrar Ben Kanaan)





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EDUCAÇÃO ESOTÉRICA E DESENVOLVIMENTO PSÍQUICO


Faculdades psíquicas não atestam espiritualidade. Isso é óbvio, e qualquer um pode comprovar tal fato, bastando observar os temperamentos e atitudes dos canalizadores psíquico-mediúnicos através dos tempos; mas, como toda a regra, há exceções, e muitas.

Mas, o que é psiquismo ou poderes psíquicos? Em síntese, são faculdades de percepção além dos cinco sentidos objetivos do ser humano. Uma percepção e intercâmbio com o subjetivo, com o abstrato ou com outros planos de existência, de realidade e energias.

Sabe-se que a personalidade humana é ilusória. Os veículos que a constituem (os corpos físico-etérico, astral e mental inferior) são perecíveis e com eles desaparecem suas faculdades e atributos. Assim, as faculdades inerentes a estes veículos não são permanentes e não se transmitem de uma vida para outra, a não ser como reminiscências, tendências ou possibilidades. O psiquismo da personalidade é, portanto, transitório.

Por outro lado, podemos perceber que há faculdades psíquicas ou mediúnicas superiores, ligadas à espiritualidade, à realização da vida espiritual, à consciência da unidade da vida. São as faculdades ligadas ao que é permanente no ser humano; ao que não é tocado pela “morte”.

Segundo São Paulo, onde há dons sem altruísmo não existe espiritualidade. Mas, mesmo assim, não devemos condenar ou menosprezar o psiquismo “inferior”, porém dar-lhe um controle a partir do psiquismo “superior” e espiritualidade autêntica.

Não há indivíduo que não possua “poderes ocultos” latentes. “Todos somos médiuns”, como preconiza o espiritismo clássico. Todavia, esse poder possui duas origens: normais e anormais. E o segredo nesse processo é que quando desenvolvidas as faculdades psíquicas superiores, as inferiores podem ser utilizadas positivamente e construtivamente porque não engendrarão correntes inferiores de prepotência, egoísmo, lucro e interesses diversos, correntes estas tão apreciadas pela personalidade (máscara). Ou seja, não cairá nas garras da ilusão.

Muito importante é que saibamos que pode-se ser psíquico sem espiritualidade, ser espiritual sem ser psíquico e ainda ser psíquico e espiritual ao mesmo tempo. Mas nunca deve ser esquecido que a espiritualidade e o psiquismo superior não podem ser confundidos com o psiquismo comum e inferior, superstição, ignorância, mistificação e credulidade que tanto abundam em nosso meio "espiritualista".

O psiquismo quando bem aplicado transforma-se em serviço legítimo, operando em favor do progresso humano em todos os campos e níveis. É superior quando houver, no coração, o senso de liberdade, de responsabilidade, de altruísmo, de boa vontade e de cooperação. E isso nos leva a refletir que quanto mais nossa consciência se eleva, tanto mais os sentidos psíquicos superiores (e também os inferiores, em muitos casos) evoluem e desabrocham. 

Quando refinamos a personalidade (nossos corpos físico-etérico, astral e mental) também refinamos o psiquismo que lhe é inerente, o que vale dizer que um psíquico ou médium de qualidade superior está relacionado com a pureza, desenvolvimento e equilíbrio físico, energético, emocional e mental; é um ser intuitivo, onde a alma (Eu Superior) coordena a personalidade (eu inferior) e a intui.

É importante ainda destacar que os homens progridem não pelo psiquismo, que não possui, na verdade, um valor por si mesmo, mas por sua aplicação benéfica, altruísta e cooperativa, a partir da alma, do Ser Interior, do Eu Sou. O que importa é a espiritualidade, o crescimento espiritual, a evolução e a capacidade de serviço amoroso e desinteressado à humanidade. O título de médium ou psíquico não é algo a ser ostentado como um indicador de espiritualidade, de ser superior ou de uma conquista, pois é totalmente transitório.

Correlacionando o que estamos tratando com o treinamento (aperfeiçoamento, educação) esotérico, podemos obter muita luz. Pois se admitirmos que a finalidade do desenvolvimento humano é o despertar da intuição profunda e visão espiritual, entraremos numa fase de progresso muito prático, pois sendo o esoterismo corretamente definido como “a ciência da alma das coisas”, ou “a ciência das essências”, ou ainda “a ciência do significado mais profundo das coisas”, faz-nos ver que no âmago de todos os acontecimentos do mundo fenomênico e dos seres existe o mundo das causas, das energias e das essências, e o psíquico superior percebe mais claramente essa essência ou a “ciência do mundo das energias” e tem, assim, uma oportunidade muito grande, como esoterista ou espiritualista, de ser responsável pela ciência da redenção. Muitas oportunidades de serviço ao Plano Divino se lhe apresentam. Isso implica em viver harmonicamente com as realidades internas e externas e não se deixar levar pelo mundo fenomênico, transitório, pelos fenômenos psíquicos vulgares, ilusórios e pela fascinação.

Podemos ser esoteristas em nosso cotidiano se em todos os momentos procurarmos entender e sentir a vida que se oculta nas formas e situações que nos rodeiam.

Ser esoterista ou autêntico espiritualista é viver de coração a coração; perceber o lado real e oculto da existência em tudo: universo, religião, filosofia, arte, sociedade e política. É perceber que a vida se reveste de uma forma transitória para crescer, manifestar-se e evoluir. É entrar no coração da vida e não embrenhar-se na ilusão. É “ser” acima de “ter”.

Psiquismo, pois, por si mesmo não leva à verdadeira finalidade da vida. O valor está na espiritualidade, que pode estar acompanhada ou não, neste plano, do psiquismo ou mediunidade superior que vem da alma, sem a ilusão da personalidade (da máscara).





Prof. Hermes Edgar Machado Junior (Issarrar Ben Kanaan)







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APENAS DIFERENTES LINGUAGENS


O estudo comparado de religiões, filosofias e tradições e sua vivência íntima e sem apegos, leva-nos a conhecer e a perceber a Verdade maior intrínseca e transcendente a todas.

Mas, como disse o cabalista Prof. Ian Mecler em seu livro "Aqui, Agora": "As religiões, as escolas, as estruturas políticas, são todas fundamentadas no sistema baseado na CULPA, o que faz uma grande neurose tomar conta da humanidade. Quanto mais culpado, menos consciente. E se você seguir essa sistemática estará sempre dividido e acuado. Afinal, como lidar simultaneamente com forças opostas e com a imposição social que define como você deveria ser?"

Dentre tantas consequências danosas, essa culpa tem levado os homens à cegueira de não perceber que todas as religiões e filosofias são apenas diferentes linguagens, e que suas tradições não são maiores do que a Verdade; são apenas diferentes estradas para um único fim. Óbvio que aqui não se enquadram as "religiões" comerciais, fundamentalistas e fanáticas.

Aprendemos, assim, com despretensão, as reais diferenças entre o TER uma religião e o SER religioso. Pois na maioria das vezes a religião é o próprio obstáculo à religiosidade. Isso não quer dizer que não se possa ser religioso dentro de uma escola religiosa, filosófica.

Buscar a experiência interior de religiosidade, de interioridade e de transcendência deve ser o motivo principal e essencial; o restante é apenas uma peça teatral a nos dizer e indicar algo, a didática.

Então, não é mais inteligente entender a essência da mensagem da peça teatral do que ficar preso à figuração e à técnica da peça?

Forma e conteúdo: o que é mais importante? A forma pode ser atraente, mas de pouco valor sem o conteúdo. Entretanto, se o objetivo for o conteúdo a forma pode ser de grande auxílio.





Prof. Hermes Edgar Machado Junior (Issarrar Ben Kanaan)






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