sexta-feira, 7 de julho de 2017

NOÉ - DILÚVIO - ARCA (UMA VIVÊNCIA INTERIOR)


Um aspecto pouco lembrado quando estudamos a Torá (Pentateuco) é que o povo judeu foi subjugado mais de uma vez por outras nações (Assíria, Babilônia, Egito etc.). É compreensível, portanto, que no cativeiro o povo judeu teve contato com o folclore e tradições desses outros povos e, num processo muito natural, acabou incorporando elementos estrangeiros ao seu.

A Gênese, por exemplo, é visivelmente uma interpretação ou visão da Saga de Gilgamesh (Babilônia). Sabemos que grandes enchentes e catástrofes ocorreram (como sempre ocorrem) em vários pontos do planeta. Praticamente todas as culturas antigas falam de uma grande cheia e, a partir desse fato, surgiram muitas histórias, narrações e mitos simbólicos.

Tendo em vista a degradação moral, mental e espiritual dos povos daquela época por um lado, e a ocorrência de uma grande enchente (ou várias enchentes) por outro lado, a associação tomou um sentido moral e teológico. Assim, em todas as tradições e mitos o homem era purificado de sua degeneração, colhendo dos males que ele mesmo plantou, pela ação dos elementos, no caso em questão, a água. Esta assume uma qualidade de purificadora e restauradora.

Mas o mais importante em todas as narrativas e mitos simbólicos é que acabam por esclarecer, mostrar e exemplificar os diversos aspectos da caminhada evolutiva humana. A lenda ou narrativa do "dilúvio", nos mostra, claramente, dentre inúmeras interpretações e ensinamentos válidos, duas lições: a primeira delas é que a natureza (o Criador) sempre preserva a criação, ou o melhor da criação, sob todas as circunstâncias. A segunda lição que podemos tomar é que quando momentos caóticos ("diluvianos") acontecem na vida humana, precisamos nos "salvar" construindo uma "arca", ou seja, um espaço interior para análise, reflexão e novos rumos na vida. O mesmo acontece com a humanidade como um todo.

Portanto, os relatos das Sagradas Escrituras, de todos os povos, nunca devem ser tomados literalmente, pois geralmente são atemporais e muito pouco se referem a fatos históricos reais. O valor está nas entrelinhas, na interpretação correta dos códigos simbólicos sempre a nos indicar e sugerir um esclarecimento atual, pessoal ou coletivo.




Prof. Hermes Edgar Machado Junior (Issarrar Ben Kanaan)







Fonte da Gravura:
https://pixabay.com/pt/a-arca-de-no%C3%A9-mosaico-iconografia-2440498/

PRÁTICA EDUCACIONAL VISANDO A EVOLUÇÃO


Podemos admitir que todo aquele que vai dedicar-se ao ensino, seja espiritual ou em qualquer área do conhecimento humano, deverá estar preparado para as inúmeras dificuldades e obstáculos que surgirão. Caberá uma certa habilidade, de certo, a cada educador para superar ou amenizar as dificuldades.

O obstáculo mais sério às atividades de educar e planejar, além do domínio do assunto, refere-se ao fato de que todo o trabalho da ideologia dominante, seja no país, na escola, no grupo espiritual ou em qualquer outro, geralmente está enfocado no sentido de anestesiar a percepção das contradições e a consequente necessidade de mudança. E sem mudanças não há evolução; é a lei do universo que não é estática e sim dinâmica. Talvez mais grave do que esse obstáculo, seja ainda o fato de que o educador, o orientador ou o dirigente, por si mesmo e em si mesmo, não perceba a necessidade de mudança.

Um dirigente espiritual ou um professor em determinada área deve ser um pesquisador e um exemplo de crescimento e desenvolvimento. Um exemplo de crescimento em seu papel de educar, planejar e agir na sua própria vida e conduta. Ser livre para poder ensinar a liberdade, e não estar simplesmente à serviço de uma ideologia e preconceito. Deve ser livre principalmente no seu interior. Deve perceber as contradições do cotidiano para, pelo menos, tentar mudar e perceber a necessidade de mudança.

Concebendo-se a educação como um fator de mudança, renovação e progresso, e admitindo-se que o professor ou dirigente de um grupo ou instituição deve saber para onde e como direcionar-se, é necessário, ao planejar, antecipar de forma organizada as etapas a seguir e atingir para que a mudança seja uma realidade alcançável.

Embora tenha suas decisões, deveria ficar claro que seu plano, mais ou menos em detalhes ou planejados, deve acompanhar a realidade do cotidiano e os interesses do grupo e dos indivíduos, que são mutáveis e precisam ser sempre levados em consideração, pois a aprendizagem, material ou espiritual, não é um processo imutável e fixo. Infelizmente a doutrina do “purismo doutrinário” está sempre presente como um mofo ou ferrugem em todas a instituições.

É importante que o ensino e a informação tenham um plano que possa ser reajustado conforme a necessidade do cotidiano que é imprevisível. Muita coisa não prevista poderá ser tão importante como o que foi previsto.

Como tudo na vida, o planejamento tem sua utilidade, seus limites e potencialidades. É um instrumento, um meio e não um fim. E se o significado da realidade for considerado e percebido, este instrumento se torna desafiador e proporcionador de melhores resultados na prática educacional, orientadora e doutrinária. O que não deve ser perdido de vista é que o objetivo sempre deverá ser o evolutivo. E evolução não combina com estagnação, com “purismos”, com doutrinas prontas e fechadas, com tradições enfocadas em obediência e dogmatismos.

Um educador ou instrutor deve ter a humildade de entender que a sabedoria verdadeira está infinitamente além de suas ideologias, credos, preconceitos e presunções. E também muito longe daquilo a que grupos, com suas ideologias alienantes e inversão de valores, impõem tentando dominar e explorar a humanidade.




Prof. Hermes Edgar Machado Junior (Issarrar Ben Kanaan)






Fonte da Gravura:
https://pixabay.com/pt/universidade-do-alabama-biblioteca-1613275/