quarta-feira, 7 de junho de 2017

A GRANDE HISTÓRIA BÍBLICA


A grande história da bíblia é a história da luta da alma pela sua salvação. Não deve ser lida ou interpretada literalmente, fato este geralmente esquecido pela maioria das religiões. Estas geralmente para tudo possuem "respostas prontas" em versículos bíblicos, lidos literalmente ("a letra mata", não nos esqueçamos).

E a grande história pode ser sintetizada assim:

A saída dos hebreus do Egito simboliza a libertação do indivíduo de suas paixões inferiores.

A história de Abraão significa o desenvolvimento interior do homem de fé.

Adão é a alma de cada um que sucumbe à tentação (Eva), e de sua queda nasce o orgulho (Caim). O bem (Abel) fica, por isso, diminuído ou oculto da vida da alma.

Mas a alma pode elevar-se novamente pelo arrependimento (Enoque), correção (tikun/karma) e justiça (Noé), até chegar à virtude, da qual cada um dos patriarcas (Abraão, Isaque e Jacó) representa um aspecto, chegando assim à santidade, representada por Moisés.

A Gênese representa, simbolicamente, a "criação" (emanação), a "saída" dos seres de Deus, a "queda" e os caminhos "longe" de Deus.

O Êxodo representa, simbolicamente, o caminho de retorno a Deus.

O Levítico mostra, simbolicamente, as regras de como retornar.

O Livro dos Números, simbolicamente, mostra a estruturação dos homens em "comunidade", as provações, testes e aprendizados.

O Deuteronômio lança as bases filosóficas, éticas e religiosas para o caminho de retorno à Unidade Divina e de uma vida elevada.

Enfim, as fábulas, mitos, símbolos e parábolas da bíblia (como de qualquer outra escritura) foram criados para serem entendidos e vivenciados intimamente; vê-los como um fato histórico, algo distante ou exteriores a nós é desconhecer totalmente a mensagem profunda que se nos apresenta como auxílio à nossa evolução.

Cabe ainda lembrar que todo anacronismo, apego e bibliomania deve ser evitado. A mensagem é interior e fala ao nosso interior; é simbólica. Pouquíssimas passagens e personagens são fatos históricos reais.




Prof. Hermes Edgar Machado Junior (Issarrar Ben Kanaan)





Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/livro-b%C3%ADblia-aberto-%C3%B3culos-1936547/

A CAMINHADA NA SENDA DO DISCIPULADO


Fala-se muito que o caminho espiritual é árduo e austero. Os grandes mestres da espiritualidade nos ensinam sobre uma certa austeridade como fator de preparação ao discipulado. Mas também nos indicam que é uma austeridade aparente. Significando, em verdade, o incentivo forte que capacita e conscientiza profundamente cada discípulo na necessidade atual da revelação, do exemplo e do serviço.

Por isso é que se fala em austeridade, porque “os discípulos são almas que entram nos reinos da força espiritual, tomam o que necessitam e desejam e trabalham com inteligência para que haja uma sensata distribuição de força energética, psíquica e espiritual dentro da zona escolhida de serviço”, como disse Alice Bailey.

A árdua disciplina constitui-se na preparação para o “reino”. E tal preparação é um grande desafio, pois “cada discípulo deve aceitar-se a si mesmo tal como é, em qualquer momento, com qualquer equipamento intelectual e espiritual de que disponha e sob quaisquer circunstâncias de vida. Então, cada um procura subordinar-se a si mesmo, seus negócios e seu tempo à necessidade do momento” (A. Bailey).

Sabemos perfeitamente que um conjunto de pessoas possui um enorme poder. E quando ouvimos falar na “esperança do mundo”, logo desejamos e almejamos um mundo melhor, mais justo, mais perfeito e mais iluminado. Porém, para que assim ocorra, deve-se crer no poder do conjunto agindo num mesmo propósito, numa mesma direção. E esta ocorrência está intimamente ligada à disciplina conseguida com persistência, ritmo e austeridade, tanto pessoal quanto grupal.

Mas quem poderá sabiamente, até certo ponto, guiar e esclarecer para que o mundo mude e melhore? Uma das respostas, e talvez a mais urgente em nossos dias, é a que sugere a necessidade de grupos de pessoas que consigam enxergar, pelo menos um pouco, além da ilusão e dos interesses pessoais, um discipulado como esperança do mundo. Grupos de discípulos que se preparem e se especializem para serem agentes das mudanças necessárias, em conformidade com o Plano Divino.

Se quisermos uma nova era, com um mundo melhor, deveríamos nos comprometer com esta visão e intenção. As energias e orientações espirituais encontram-se sempre prontas e à disposição de todos aqueles que as buscam com corretos propósitos. São energias espirituais profundas e cheias de oportunidades que se fazem sempre presentes e prontas para dar um novo impulso evolutivo.

Crises, choques, elevação de padrão de energias, avanços científicos, cultura etc., são fatores que provocam novos impulsos. Invocam e evocam direcionamentos mais superiores. Tudo está interligado. A Hierarquia espiritual, a Grande Fraternidade Branca, os Espíritos de Luz, atuam em diversos departamentos dos assuntos humanos (política, artes, ensino, ciência, sociedade etc.), e não apenas na “religião”. Tudo isso leva a uma “aceleração” evolutiva e a uma maior aspiração da humanidade.

O caminho espiritual é considerado árduo porque exige uma construção do ser em diversos níveis. Na verdade uma reconstrução. E mais exato ainda uma relembrança de si mesmo. Evoluir é relembrar, nos indicam os ensinamentos espirituais.

Talvez aí esteja o ponto forte daquilo a que denominamos de “construtivismo” na educação, cuja ideia central nos fala do sujeito construindo o seu próprio desenvolvimento e conhecimento. Esta ideia não é nova, pois já era defendida por Sócrates, Rousseau, Pestalozzi, Montessori, Piaget e outros. Eles nutriam a ideia de que o homem é um ser integral (biológico, social, moral e espiritual) e viam, alguns deles, a existência de um princípio espiritual que determina o desenvolvimento numa interação com o meio ambiente. É a ideia de um ser espiritual em manifestação, e que, a partir de então, constrói o desenvolvimento. Portanto, uma relembrança e exteriorização do que já se é no íntimo, como um ser transcendente e divino.

Vários seres humanos têm elevado suas aspirações, buscado o caminho na senda, buscado a verdade. Isso tem como causa as muitas atividades em várias áreas do pensamento e atuação do ser humano e se processa no mundo inteiro. É uma tendência, uma necessidade evolutiva. E em todas as épocas há aqueles que se qualificam para isso, cada um dentro de uma área e de seu grau evolutivo.

Apesar das grandes e pequenas desordens mundiais, nacionais e locais que percebemos diariamente e que até nos desencorajam muitas vezes, é correto dizer que estas desordens são verdadeiros acontecimentos que provocam o surgimento de novos tempos. São choques provocando um despertar e uma tomada de consciência em vários setores humanos e que se traduzem como uma nova consciência e espiritualidade.

Eis, portanto, a importância da “austeridade” e de um discipulado mais consciente e desinteressado para este mundo.




Prof. Hermes Edgar Machado Junior (Issarrar Ben Kanaan)




Fonte da Gravura: https://pixabay.com/id/orang-orang-hiking-bayangan-hitam-1541310/