domingo, 30 de julho de 2017

O DISCÍPULO ENFRENTA DOIS CAMINHOS, E EM CADA UM VÊ A MESMA VISÃO


"Por qualquer caminho que um discípulo se aproxima de mim, lá estarei à sua espera." (Krishna)

Todos vivemos em Deus, mesmo que a maioria ainda viva inconscientemente de tal fato. Entretanto, dentro dessa vivência, lacunas e necessidades, problemas e obstáculos nos desafiam constantemente no espírito de serviço em toda a parte.

Impera ao discípulo, particularmente, a necessidade de não algemar o coração ao medo e aos obstáculos que o impede ao trabalho em benefício coletivo. E ainda não manter a ideia de que está na obra do mundo e do Plano Divino para "aniquilar" o que achamos que é "imperfeito". Isso é uma necessidade fundamental e sempre atual, pois não estamos em condições evolutivas para julgamentos.

Quando a luz começa a penetrar verticalmente (do "alto") em nós, urge que devamos difundi-la horizontalmente (no mundo) sem medo e sem desejo de aniquilar o que pensamos ser imperfeito. Devemos sim, completar o que está "inacabado", como colaboradores e coadjutores do Plano Divino.

Porém, o problema da dualidade acentua-se, pois o homem não possui ainda qualidades e nível evolutivo suficientes para registrar a verdadeira luz. Aqui faz-se necessário que, em nosso serviço, a prudência e a vigilância sejam constantes, e que nunca esqueçamos que a solução e a luz nem sempre residem onde nós ou a opinião comum pretendem observá-las. Sendo assim, lacunas e obstáculos rondam constantemente àqueles que procuram servir.

Devemos ter sempre em mente que as portas da colaboração ao Plano e o Divino Amor permanecem abertas àqueles que identificam a chamada para o serviço. Além disso, toda a oportunidade de serviço é uma benção dos Poderes Divinos manifestados no homem.

Manter-se no "caminho do meio" ou no "centro" é estar consciente de que o campo de serviço, o nosso horizonte, é o mundo inteiro, e que a luz, o amor e o poder nos penetram verticalmente e constantemente para que possamos cumprir, horizontalmente, nossa parcela de serviço dentro do Plano Divino.

É necessário, cada vez mais, àqueles que se aproximam da realidade do serviço deixarem de ser meramente aprendizes que não atendem ao apelo da "cruz de serviço", ou seja, receber verticalmente e atuar horizontalmente; receber a luz e distribui-la à humanidade.

Se observamos os caminhos da horizontal (o mundo) vemos quão necessário se faz a aplicação da luz; se observamos os caminhos da vertical (a "fonte") vemos quão disposta é a luz para acudir e estar em meio da sua criação. Talvez aí esteja uma das razões pela qual o discípulo, em qualquer posição ou ponto de vista, vê a mesma visão ou senda. E por qualquer caminho há possibilidades de serviço e evolução. "Por qualquer caminho que um discípulo se aproxima de mim, lá estarei à sua espera." (Krishna)

Possam os leais servidores, os homens de boa vontade, os que buscam as corretas relações humanas, aqueles que estão compreendendo e ingressando na senda do serviço, os espontâneos, dedicados e realistas, os trabalhadores devotados e que não demonstram predileções pessoais, serem canais, veículos e cumpridores de sua parte no Plano Divino para a Terra.





Prof. Hermes Edgar Machado Junior (Issarrar Ben Kanaan)






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domingo, 23 de julho de 2017

EVOLUÇÃO - UMA VISÃO DE TEILHARD DE CHARDIN


Estamos vivendo uma época em que certos conceitos devem vir à tona com mais frequência. Principalmente conceitos que reorientam o homem em sua marcha evolutiva e despertam a consciência global ou a consciência da unidade. No curso desse esforço temos, em Teilhard de Chardin, certos conceitos humanísticos que não devem ficar sem o nosso reconhecimento.

O humanismo na concepção de Chardin, segue três direções essenciais, e são: "a fé apaixonada no progresso e na grandeza do homem"; "a exigência do universal"; e "o desenvolvimento sem limites das possibilidades e da expansão pessoal de cada homem". (cf. Denis Mermod, em "A Moral em T. de Chardin")

As três direções essenciais supra citadas são sintetizadas em Chardin em três ideias mestras, a saber: "Liberdade: a oportunidade oferecida a cada homem de transumanizar-se, indo até o máximo de si mesmo; Igualdade: o direito de cada homem de participar, conforme suas qualidades e suas forças, ao esforço comum de promover, um pelo outro, o futuro do indivíduo; Fraternidade: do homem pelo homem, sentido de uma interligação orgânica fundada não somente em nossa coexistência sobre certa descendência comum, mas sobre o fato de representar, no conjunto, a frente extrema, o extremo de uma onda evolutiva ainda em pleno curso. Liberdade, igualdade e fraternidade não mais indeterminadas, amorfas e inertes, mas dirigidas, orientadas e dinamizadas pelo aparecimento de um movimento de fundo que subentende e os suporta." (cf. Denis Mernod, em "A Essência da Ideia de Democracia")

A soteriologia (*) (salvação e redenção), em qualquer tradição religiosa ou filosófica, busca dar sentido e auxiliar a obra divina. E é nesse sentido que os conceitos de grandes pensadores, grandes almas e místicos se fazem cada vez mais necessários, mas não apenas no sentido de uma divagação filosófica, religiosa, sociológica ou política, porém em termos práticos, abarcando uma visão de síntese esotérica entre o protológico (**) e o escatológico (***), ou seja, entre o princípio e o propósito dos seres, ou o antes e o depois no que se refere ao destino do ser humano em termos evolutivos.

Lógico que isso só possuirá uma razão de ser aos que consideram o ser humano um ente com capacidade de ser redimido, reorientado e com capacidades evolutivas; um ser que supera-se a si mesmo, redescobre-se a si mesmo e que um destino cada vez maior e amplo o aguarda.

Que essa visão sempre atual de Chardin possa trazer o ser humano a si mesmo e, ao mesmo tempo, o convite a descobrir-se, a (re)construir-se, a evoluir.




Prof. Hermes Edgar Machado Junior





Fonte da Gravura:
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Notas:

(*) A soteriologia é o estudo da salvação humana. A palavra é formada a partir de dois termos gregos σωτήριος [Soterios], que significa "salvação" e λόγος [logos], que significa "palavra", "princípio", ou "ensino". (Wikipédia)

(**) A protologia é o ramo da teologia que estuda as origens do universo e da vida, segundo o ponto de vista fé, elaborando, assim, a teologia da criação. (Wikipédia)

(***) No âmbito religioso, a escatologia é considerada uma doutrina que estuda todas as coisas que acontecerão antes e depois do Juízo Final, ou seja, o fim da espécie humana no planeta Terra. Neste sentido, a escatologia pode assumir um tom apocalíptico e profético, tendo como verdade a ideia de morte e ressurreição. (Wikipédia)

domingo, 16 de julho de 2017

AS RELIGIÕES E AS EXIGÊNCIAS DO MUNDO


Historicamente, é uma realidade o fato de que as religiões e escolas espirituais passam por fases ou ciclos de atividades. Há uma certa evolução, transformação e adaptação teológica, filosófica, cultural e sócio-político-econômica conforme o passar do tempo e pela pressão do Plano Divino.

Como aqui se trata de um tema referente à religião, filosofia e escolas espirituais ou iniciáticas, não quer dizer que tal fato, ou seja, as transformações, não ocorram na ciência, arte, psicologia, comportamento, política, economia, linguística etc.

Cabe aqui refletir sobre o por quê a crescente preocupação teológica e educacional para com o meio ambiente, ecologia e outras situações de vida; sobre o por quê um Dalai Lama nos aconselha a pensarmos no desafio dos nossos tempos e que desenvolvamos um sentido de responsabilidade universal; sobre o por quê de um movimento geral de boa vontade mundial esteja cada vez maior e mais operante no mundo.

Por ser uma organização antiga, conhecida e histórica cito, por exemplo, a Igreja. Nela observamos três períodos definidos:

- o período pré-constantiniano, onde vivia mais voltada à espera do "fim" e da salvação, pouco importando-se a respeito do porquê de estar mundo;

- o período constantiniano e pós-constantiniano, onde o misticismo e a experiência sacral lutavam para escapar da realidade temporal do mundo;

- o período atual, onde não há um choque ou conflito entre o sacral e o mundo, mas sim um crescente senso de responsabilidade global.

Nota-se, pois, que a Igreja viveu inicialmente um período de indiferença ao mundo; em seguida um período de protegida e protetora de instituições humanas por questões de sobrevivência e conveniências, porém, o enfoque era místico e de fuga do mundo; e, logo após, um período, ainda em curso, de responsabilidade social e espiritual. Obviamente aqui estou me referindo às Igrejas católicas, ortodoxas e protestantes históricas; não me refiro aqui às igrejas-negócios, ao evangelismo, pentecostalismo etc. atual cujos propósitos tão bem sabemos e que nem vale a pena comentar. Claro fica, também, que a Igreja católica nem sempre foi exemplo de virtude, entretanto, foi modificando seus caminhos ao longo dos anos. Cabe observar ainda que o exemplo da Igreja se aplica, de diversas maneiras e semelhanças, a praticamente todas as outras religiões do mundo, inclusive abrange, em certo sentido, às várias organizações místicas, esotéricas e iniciáticas.

Prosseguindo, pensemos na cruz grega, a cruz de braços iguais em tamanho. Ela pode simbolizar e nos mostrar a realidade atual, o método e o nosso desafio espiritual: o equilíbrio entre o recebimento da Luz e a responsabilidade global; o receber e o dar; a fé e as obras; o caminho espiritual e o mundo com suas necessidades; o não-conflito entre o sacral e o temporal, o espiritual e o material.

Refletindo nisso tudo, cabe a nós a seguinte questão: estamos preparados para essa realidade que nosso tempo exige, ou estamos presos a conceitos e preconceitos estanques do conservadorismo e das interpretações literais das várias escrituras sagradas do mundo? Estamos dispostos a perceber as exigências do Plano Divino a cada momento e que ele é dinâmico?

Eis um desafio sério e profundo que se nos apresenta a cada momento de nossas vidas.





Prof. Hermes Edgar Machado Junior (Issarrar Ben Kanaan)






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terça-feira, 11 de julho de 2017

O AMOR REVELA O PLANO DIVINO


Sabendo-se que a vontade de amar governa o relacionamento e estabelece a síntese, podemos procurar intuir o Plano Divino, tal como ele existe no coração de amor,  para assim podermos auxiliar a revelar o mesmo Plano. Intuir esse Plano Divino é corresponder e buscar o amor que o revela. E o amor sintetiza igualmente como a intuição.

Não adianta somente a postura de análise, dissecação e separação intelectual. Devemos procurar sempre sintetizar, ir às essências e perceber o global, caminho que só a intuição pode fornecer, pois a intuição está além da razão, é de um grau perceptivo maior.

Como o Plano Divino é revelado pelo amor, cabe a cada um de nós, individualmente e também como grupo, buscarmos a intuição que é o amor e o caminho das corretas relações.

Do instinto à emoção, da emoção ao intelecto (razão), e do intelecto à intuição: eis uma longa jornada evolutiva. Nada disso deve ser extinto ou ignorado, pois são necessários no nosso cotidiano. Porém tudo deve ser controlado, sintetizado e transcendido. O importante é chegarmos ao intelecto e, a partir deste, coordenarmos nossa mente, emoção e instinto. O intelecto é o precursor da intuição; a intuição vem impregnada de amor da alma, que é o essencial para um verdadeiro serviço amoroso e desinteressado.

O amor em ação que o Plano Divino nos revela como amor essencial é o que devemos buscar, contatar e trabalhar. Isso nos chega exatamente pela intuição, pelo intuir do Plano exatamente no "coração", no interior, no nosso Eu Divino.

O segredo é bem guardado, está oculto no nosso íntimo, no Eu Sou, mas está muito próximo ao mesmo tempo; está ao nosso alcance, dentro de cada um de nós, se assim o desejarmos.




Prof. Hermes Edgar Machado Junior (Issarrar Ben Kanaan)





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domingo, 9 de julho de 2017

IDEIAS - IDEAIS – ÍDOLOS


“A filosofia da classe dominante atravessa todo um tecido de vulgarizações complexas para aparecer como 'senso comum', isto é, a filosofia das massas que aceitam a moral, os costumes e o comportamento institucionalizado da sociedade em que vivem.” (A. Fiori abordando o conceito de A. Gramsci sobre hegemonia)


As ideias são as forças do Espírito (Mônada) e que encontram expressão secundária no corpo mental, ou seja, na mente humana. É a partir das ideias, do seu jogo e na sua apresentação que a humanidade desenvolve o poder de pensar e raciocinar, conquistando assim um amadurecimento e evolução no plano mental (corpo mental).

Os ideais, por sua vez, são as forças da Alma (Eu Superior) e encontram expressão secundária no plano astral ou emocional (corpo astral ou emocional).

As ideias vão gradativamente tomando “forma”, ou seja, vão se tornando ideais defendidos, vividos, debatidos, assumidos ou excluídos.

Por outro lado, os ídolos são as ideias já na forma de ideais, porém cristalizados, e tomam expressão no plano físico, na existência material.

Dependendo do grau evolutivo de cada um, o tempo para plasmar uma ideia é variável; e as consequências quando se tornam ideais e ídolos também são relativas à evolução individual e coletiva.

Porém, a problemática começa quando cada um tende a cristalizar-se num ponto de vista e a excluir os outros com discursos e veemência. Por isso temos os olhares ligados aos diversos “...ismos”, o que acalora a evolução humana; é como se fosse um “mal necessário”.

A ciência, a religião, a filosofia, a política etc., sempre citam seres e situações supostamente demonstráveis. Podem, alguns, até terem sido realidade num dado momento e contexto, mas que não são aplicáveis à experiência de cada um de nós em todas as épocas.

Confundem-se mitos e símbolos com realidade. Por isso, vemos as ideias sendo distorcidas em ideais, a partir de interesses diversos e ideologias, e consagradas e materializadas por leis, as vezes duras, mas que fogem de uma experiência individual.

Geram-se assim, multidões de seguidores de tradições impostas, sem a mínima consciência de que a maior parte das tradições, como fatias ou interpretações de algo transcendente, apenas disputam espaço e seguidores, tentando impôr comportamentos e hábitos anacrônicos. Basta olharmos as tentativas de modelos de “santos”, “heróis”, “mártires”, “nóbeis”, vestes, ritos e tradições multi milenares. Tudo se cristaliza no imaginário humano: mitos bíblicos e escrituras consideradas sagradas (de qualquer tradição), criacionismo, sociedade totêmica, imaginários, anacronismos e idiossincrasias.

Por isso, segundo a lógica de Karl Marx, foi o homem o criador de Deus, à sua própria imagem e semelhança. Creio que Marx inverteu os conceitos por usar uma visão muito limitada e baseada em experiências e conceitos de velhas e infantis tradições do mundo, ou seja, baseou-se nas superficialidades dos fatos, mas o exemplo é bem cabível nesse contexto.

É difícil a uma pessoa identificada fanaticamente e irracionalmente a algum “ismo” olhar com bons olhos a uma outra que pertença a outro “ismo”. Por isso, fala-se em tolerância. Mas o que se entende por tolerância não é uma virtude e sim uma tentativa, um pouco mais civilizada, de convivência. É como se disséssemos: eu estou certo, o outro está errado, mas eu o tolero...

Vemos que as pessoas possuem uma visão variadíssima sobre o mundo e ainda muitíssimas ideias que se transformam em ideais. As consequências dessas expressões no mundo podem ser consideradas boas ou não. Mas o que destaca-se é a falta à humanidade de uma visão evoluída e amadurecida que lhe permita a compreensão, tanto do ponto de vista individual quanto coletivo, de que tudo é relativo e fragmentado na visão imatura do ser humano. Falta-nos os olhares sobre o mundo despreocupados e isentos de interesses, e a visão de que a parte não pode opor-se ao todo; ela é apenas uma parte, e o que necessita-se é de uma harmonização e equilíbrio.

A história do mundo é baseada no aparecimento de ideias, sua aceitação ou não, sua transformação em ideais ou não, e em aproveitamento, cristalizações e ações. E a história tem nos mostrado as consequências dos ideais e das ações. Por isso, concluiu o grande filósofo Pietro Ubaldi: “Não sois ainda uma sociedade, mas apenas uma grei, um desencadeamento de forças psíquicas primordiais, explodindo confusamente.”

Muitos já sentem atualmente a necessidade de amadurecimento e conscientização, sentem a necessidade de superar-se a si mesmo e às circunstâncias. Compreendem que a conformidade, a rotina e a acomodação a velhos e desgastados (pré)conceitos religiosos e tradições são fatores tolhedores ao progresso; percebem que as ideias distorcidas e com interesses ideológicos são transformadas em ideais obtusos e engessados na sociedade.

Possamos entender que as ideias são essenciais e puras; são necessárias à evolução. Mas que possamos enxergar, também, que elas podem ser maculadas em ideais cristalizados à serviço de forças e ideologias contrárias à evolução. Os limites nem sempre são perceptíveis.

A meta é a renovação constante do ser humano, tanto como indivíduo como coletividade; não renovar-se é compactuar com uma visão obtusa e estagnada. E a ferramenta mais eficaz é a consciência, trabalho e vivência no presente; qualquer tentativa de reviver ou viver do passado nos leva, no mínimo, a um anacronismo. O mesmo se dá na tentativa de viver um futuro; desperdiça-se a maior parte do tempo e energia que poderiam estar sendo utilizados no presente para o nosso desenvolvimento e reforma íntima.

Óbvio que para a nossa evolução atual e visão há a sensação de passado e futuro; tempos históricos etc. "Houve", "há" e "haverá" é a nossa percepção (ilusória) para evoluir. Entretanto, um "futuro" melhor só existirá se trabalharmos com a consciência e missão no presente; o mesmo se dá com o chamado "conserto" do passado: só se efetiva se trabalharmos conscientemente no presente. Assim, as ferramentas únicas e infalíveis são: o serviço amoroso e desinteressado, a meditação e o estudo; tudo no "aqui e agora".




Prof. Hermes Edgar Machado Junior (Issarrar Ben Kanaan)






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sexta-feira, 7 de julho de 2017

NOÉ - DILÚVIO - ARCA (UMA VIVÊNCIA INTERIOR)


Um aspecto pouco lembrado quando estudamos a Torá (Pentateuco) é que o povo judeu foi subjugado mais de uma vez por outras nações (Assíria, Babilônia, Egito etc.). É compreensível, portanto, que no cativeiro o povo judeu teve contato com o folclore e tradições desses outros povos e, num processo muito natural, acabou incorporando elementos estrangeiros ao seu.

A Gênese, por exemplo, é visivelmente uma interpretação ou visão da Saga de Gilgamesh (Babilônia). Sabemos que grandes enchentes e catástrofes ocorreram (como sempre ocorrem) em vários pontos do planeta. Praticamente todas as culturas antigas falam de uma grande cheia e, a partir desse fato, surgiram muitas histórias, narrações e mitos simbólicos.

Tendo em vista a degradação moral, mental e espiritual dos povos daquela época por um lado, e a ocorrência de uma grande enchente (ou várias enchentes) por outro lado, a associação tomou um sentido moral e teológico. Assim, em todas as tradições e mitos o homem era purificado de sua degeneração, colhendo dos males que ele mesmo plantou, pela ação dos elementos, no caso em questão, a água. Esta assume uma qualidade de purificadora e restauradora.

Mas o mais importante em todas as narrativas e mitos simbólicos é que acabam por esclarecer, mostrar e exemplificar os diversos aspectos da caminhada evolutiva humana. A lenda ou narrativa do "dilúvio", nos mostra, claramente, dentre inúmeras interpretações e ensinamentos válidos, duas lições: a primeira delas é que a natureza (o Criador) sempre preserva a criação, ou o melhor da criação, sob todas as circunstâncias. A segunda lição que podemos tomar é que quando momentos caóticos ("diluvianos") acontecem na vida humana, precisamos nos "salvar" construindo uma "arca", ou seja, um espaço interior para análise, reflexão e novos rumos na vida. O mesmo acontece com a humanidade como um todo.

Portanto, os relatos das Sagradas Escrituras, de todos os povos, nunca devem ser tomados literalmente, pois geralmente são atemporais e muito pouco se referem a fatos históricos reais. O valor está nas entrelinhas, na interpretação correta dos códigos simbólicos sempre a nos indicar e sugerir um esclarecimento atual, pessoal ou coletivo.




Prof. Hermes Edgar Machado Junior (Issarrar Ben Kanaan)







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PRÁTICA EDUCACIONAL VISANDO A EVOLUÇÃO


Podemos admitir que todo aquele que vai dedicar-se ao ensino, seja espiritual ou em qualquer área do conhecimento humano, deverá estar preparado para as inúmeras dificuldades e obstáculos que surgirão. Caberá uma certa habilidade, de certo, a cada educador para superar ou amenizar as dificuldades.

O obstáculo mais sério às atividades de educar e planejar, além do domínio do assunto, refere-se ao fato de que todo o trabalho da ideologia dominante, seja no país, na escola, no grupo espiritual ou em qualquer outro, geralmente está enfocado no sentido de anestesiar a percepção das contradições e a consequente necessidade de mudança. E sem mudanças não há evolução; é a lei do universo que não é estática e sim dinâmica. Talvez mais grave do que esse obstáculo, seja ainda o fato de que o educador, o orientador ou o dirigente, por si mesmo e em si mesmo, não perceba a necessidade de mudança.

Um dirigente espiritual ou um professor em determinada área deve ser um pesquisador e um exemplo de crescimento e desenvolvimento. Um exemplo de crescimento em seu papel de educar, planejar e agir na sua própria vida e conduta. Ser livre para poder ensinar a liberdade, e não estar simplesmente à serviço de uma ideologia e preconceito. Deve ser livre principalmente no seu interior. Deve perceber as contradições do cotidiano para, pelo menos, tentar mudar e perceber a necessidade de mudança.

Concebendo-se a educação como um fator de mudança, renovação e progresso, e admitindo-se que o professor ou dirigente de um grupo ou instituição deve saber para onde e como direcionar-se, é necessário, ao planejar, antecipar de forma organizada as etapas a seguir e atingir para que a mudança seja uma realidade alcançável.

Embora tenha suas decisões, deveria ficar claro que seu plano, mais ou menos em detalhes ou planejados, deve acompanhar a realidade do cotidiano e os interesses do grupo e dos indivíduos, que são mutáveis e precisam ser sempre levados em consideração, pois a aprendizagem, material ou espiritual, não é um processo imutável e fixo. Infelizmente a doutrina do “purismo doutrinário” está sempre presente como um mofo ou ferrugem em todas a instituições.

É importante que o ensino e a informação tenham um plano que possa ser reajustado conforme a necessidade do cotidiano que é imprevisível. Muita coisa não prevista poderá ser tão importante como o que foi previsto.

Como tudo na vida, o planejamento tem sua utilidade, seus limites e potencialidades. É um instrumento, um meio e não um fim. E se o significado da realidade for considerado e percebido, este instrumento se torna desafiador e proporcionador de melhores resultados na prática educacional, orientadora e doutrinária. O que não deve ser perdido de vista é que o objetivo sempre deverá ser o evolutivo. E evolução não combina com estagnação, com “purismos”, com doutrinas prontas e fechadas, com tradições enfocadas em obediência e dogmatismos.

Um educador ou instrutor deve ter a humildade de entender que a sabedoria verdadeira está infinitamente além de suas ideologias, credos, preconceitos e presunções. E também muito longe daquilo a que grupos, com suas ideologias alienantes e inversão de valores, impõem tentando dominar e explorar a humanidade.




Prof. Hermes Edgar Machado Junior (Issarrar Ben Kanaan)






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quinta-feira, 6 de julho de 2017

O CAMINHO SIMBÓLICO DO SER


Em áries, começamos a formar uma ideia com a qual se iniciou o processo de manifestação; um corpo mental está se delineando.

Em touro, a ideia alcançou o corpo emocional e ganhou substância do poder do desejo e foi envolvida em uma forma astral.

Em gêmeos, a ideia chegou à dimensão da vida humana, à multiplicidade de formas e conhecimentos; o corpo etérico se fez presente.

Em câncer, essa ideia, esse pensamento ou essa energia do mundo das ideias abstratas recebe uma forma física.

Em leão, o homem se torna a estrela de cinco pontas (símbolo da individualização), um humano, um ser humano que sabe que é um indivíduo e toma consciência de si mesmo como um “eu” e começa a dizer “eu” e “meu”.

Em virgem, dá-se o primeiro passo para a espiritualidade e a tomada de consciência do espiritual.

Em libra, começa o equilíbrio entre o material e o espiritual.

Em escorpião, a grande ilusão é clareada e superada; a grande ilusão é o uso da personalidade para fins egoístas, mas a personalidade não deve ser destruída.

Em sagitário, completa-se a unificação da personalidade com a alma; a consciência da Presença (Eu Sou) começa a se fazer presente.

Em capricórnio, abre-se a passagem para a dimensão espiritual; começa o serviço grupal, o altruísmo.

Em aquário, o discípulo torna-se um mestre servidor; inicia-se o serviço desinteressado, a consciência grupal e o esquecimento de si.

Em peixes, o serviço mundial se torna mais amplo e o discípulo se transforma em um salvador mundial; adquire-se a capacidade de estimular grupos e até multidões rumo à luz; a consciência torna-se cósmica.





Prof. Hermes Edgar Machado Junior (Issarrar Ben Kanaan)
Segundo os seguintes autores: Alice Bailey, Torkom Saraydarian, Trigueirinho, Alan Oken, Clara Weiss




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O “CORAÇÃO” COMO NOSSO CENTRO


O Centro, o Eu Sou, o Coração, a Rosa no Centro da Cruz e tantas outras denominações são as tentativas de explicar o inexplicável, de mostrar simbolicamente aquilo que é a origem, o princípio, a essência do nosso ser. Mas a simbologia é sempre válida e pode muito nos brindar e sugerir diversas reflexões. E quando a ciência espiritual fala em Coração não está se referindo ao coração físico, ou a sentimentalismo, ou a emocionalismo, porém a um Ponto simbólico que coincide com a nossa região peitoral e que possui relação com o centro energético cardíaco.

Sabemos que todo aquele que se fundamenta nesse Centro, começa a perceber a unidade de consciência e, consequentemente, a vida real. É-nos ensinado que o Coração percebe o âmago das coisas, o íntimo e o ponto de partida de tudo. De fato, esse Ponto neutro percebe a síntese, e em síntese, porque está em íntimo contato com a Realidade Última.

“O Reino de Deus está dentro de vós, … prepara teu coração para que esse esposo possa se dignar vir a vós e em vós morar.” Entenda-se aqui, que o “esposo” é o estado crístico a atingirmos por evolução, a Divina Presença, o Eu Sou, a “Shechinah”, a “Tifereth”. Eis mais uma alusão à realidade que nos aguarda vivenciar, e que é descrita, simbolicamente, em todas as tradições.

A glória do amor cósmico revela-se no Coração que gradativamente remove os obstáculos causados pela ignorância, ou seja, devemos “preparar” o nosso Centro, centralizarmo-nos e equilibrarmo-nos para que o amor-sabedoria esteja atuando em nossa vida. O Amor do Coração do Altíssimo quer atuar no Coração dos homens porque constitui-se a própria Presença. Porém, os homens necessitam vivenciar em profundidade essa caminhada, essa “escada de Jacó”, para que seja isso uma realidade e não uma teoria.

O Amor Divino é totalmente imparcial; não há um Ser Supremo pessoal, ou grupal, ou nacional, ou de uma denominação religiosa, mas, por outro lado, os amores humanos apegam-se a objetos particulares com a exclusão de outros. Os amores humanos causam sofrimento porque são estreitos, limitados e mesclados com o egoísmo. O Amor do Absoluto é puro, é o desejo total de dar. Não procura nada para si mesmo, não exclui nada de sua criação (emanação), porque se pudesse fazê-lo já não seria o Absoluto, por haver algo fora de si.

Isso nos leva a refletir que o Coração, como Centro, quando bem orientado, dirigido e percebido, faz o ser humano superar a sua natureza inferior e buscar o estado mais elevado possível de consciência numa determinada faixa evolutiva. Portanto, percebemos que só o Coração faz o homem dedicar-se ao bem comum e à ideias e ideais elevados. Pois Ele é a grande estação de luz e amor que orienta os seres humanos ao “retorno à casa do Pai”.

Por sua característica profunda, esse Ponto central nos seres, é um verdadeiro facilitador à recepção e ao entendimento esotérico, pois ele aspira simplesmente o “ser” e não o “ter”, quando corretamente direcionado. Sacrifica-se a tudo e a todos, é o nosso Mestre na busca da síntese, é o Amor em ação. É a simplicidade, o empenho e a responsabilidade que sentimos dentro de nós. É a Lei que confraterniza e congrega. Fala sem palavras quando silenciamos a nossa personalidade humana ruidosa. É o cálice onde bebemos do Amor Divino. O próprio viver e compreensão esotérico em nossa senda evolutiva.

A percepção e o conhecimento sobre o Coração, como um Foco de Luz, é importante à vida, à unidade de consciência. Constitui-se num “refúgio”, onde podemos, conforme os ensinamentos budistas, perceber o Buda (a essência), o “dharma” (a lei) e a “sangha” (a vivência e convivência real dos seres). Basta, para tanto, a união íntima de nossos Corações com o Coração Divino. Tal união leva, por tal fato, ao entendimento, a uma luz clara sobre a verdade, à fé, ao serviço e ao Plano Divino.

Esse Centro está em toda a parte e para sua presença não há obstáculos, só a exigência de que floresça a Rosa no centro de nossa cruz, de que seja burilada a pedra bruta da personalidade até atingir a Pedra Cúbica da individualidade, a alma, simbolicamente falando.

É nesse enfoque que místicos, esoteristas e espiritualistas de todas as épocas relacionavam o Coração a uma chama, a um “ardor” divino, a um atrito íntimo da cruz com a rosa, tendo como consequência um “aquecimento”. Vê-se, pois, que o calor é aconchegante e proporciona uma aproximação congregante de vontades em torno de ideais elevados. E só o Coração, como ponto focal, como uma lente, pode gerar esse calor, esse “fogo”, um propulsor evolutivo.




Prof. Hermes Edgar Machado Junior (Issarrar Ben Kanaan)






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terça-feira, 4 de julho de 2017

DESAPEGO - A LIBERTAÇÃO DOS ANSEIOS


É muito comum o fato de renunciarmos aos prazeres e ambições do mundo e adquirirmos, por outro lado, outros prazeres e ambições, geralmente disfarçados de espirituais e de tradições, não se dando conta da conduta teatral ou hipócrita. Habitualmente assim agimos, pensando que somos desprendidos do mundo, adotando posturas e comportamentos anacrônicos no vestir, no falar e no agir.

Por vezes manifestamos apego a uma devoção, a um livro, a um sistema de espiritualidade, a um método de meditação, às graças da oração, à virtudes e à coisas que são, realmente, positivas e benéficas. Mas, assim mesmo, corremos o risco de nos deixar cegar e fanatizar por tais atitudes.

A própria procura por paz interior é uma criação e apego; prazeres que buscamos no espiritual. Estar apegado e dependente dos "ismos" e "prazeres" espirituais é o mesmo, portanto, do que estar preso a um imoderado apego por quaisquer outras coisas. Ficamos cegos pelo desejo de chegar a um fim, a uma ávida fome de resultados, de visíveis êxitos. Tornamo-nos peritos na arte de nos iludir e não nos damos conta de que é o nosso eu pessoal, a personalidade que está tentando, disfarçadamente, salientar-se a si mesma e perante aos outros.

Esquecemo-nos totalmente que a tranquilidade e a paz interior só são alcançadas quando nos desapegamos do mundo, ou seja, quando chegamos a uma atitude desapaixonada em relação ao prazer, à dor, às formas de bem e de mal. O desapego deve substituir a dor e o prazer. Só assim nossas funções sensoriais e elevados sentidos da alma desempenharão suas reais funções.

Devemos nos libertar do anseio por todos os frutos e objetos do desejo, quer terrenos, quer tradicionais, quer espirituais, em qualquer momento.

Pela despaixão e desapego, o aspirante e servidor fica livre de efeitos cármicos resultantes de sua atividade e torna-se possível reorientar-se, de modo que sua atenção não seja mais atraída para o exterior pelo fluxo de imagens mentais, mas seja retirada e fique dirigida exclusivamente sobre a pura realidade atemporal.

Urge que nos desapeguemos de todas as formas de percepção sensorial, tanto a superior como a inferior. Devemos ser indiferentes ao pequeno eu-personalidade.

O recolhimento é impossível para o homem dominado por todos os imprecisos e flutuantes anseios de seu próprio desejo. Tais anseios, mesmo que elevados, se não deixarem de ser interesseiros e apegados aos frutos das ações são impedimentos, ânsias e ansiedades que nos afastam da verdade e do caminho real.

Não podemos atingir a real paz interior e um crescimento pleno se não nos desprendemos e nos desapegamos até mesmo do desejo de ter paz e recolhimento espiritual, pois isso, por si mesmo, já gera uma ansiedade e um certo desconforto.

Parece que há uma só maneira de avançarmos: a renúncia a todos os desejos e o deixar levar-se, naturalmente, pela Vontade de Deus; Ele nos dará o recolhimento e a paz, mesmo entre as lutas e provações. O caminho que leva a Deus atravessa profundas trevas onde todo o conhecimento, todo o prazer, toda a alegria são aniquilados e absorvidos pela transbordante pureza da luz e Presença de Deus.

O que conhecemos, o que podemos possuir e desejar através das nossas faculdades poderá ser, conforme nossas intensões e uso, um certo obstáculo à pura "posse" do Divino no nosso interior.

Tudo isso, é lógico, não invalida nossas buscas, pesquisas, aspirações e crescimento material, psicológico e espiritual. O que deve ser entendido é que o processo deve ser natural, sem fanatismos, sem apegos, sem presunções e sem hábitos e cristalizações.

Essa é a razão pela qual de tudo devemos nos desapegar e nos libertar. Devemos estar acima de qualquer posse e alegria para alcançar a genuína "posse e gozo de Deus", pois se nos ligarmos demasiadamente nos "acidentes" corremos o risco de perder o que é essencial, o verdadeiro objetivo. Portanto, não troquemos o fim pelos meios para que entendamos, finalmente, a diferença entre "ter" e "ser", e assim, com humildade e despretensão, vivermos na real Presença Divina.




Prof. Hermes Edgar Machado Junior (Issarrar Ben Kanaan)






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CONHECIMENTO DIGNO


Nossos conceitos (e preconceitos) colorem e provisionam a maior parte do material de nosso pensamento. Sendo assim, como podemos nos assegurar de que nossas suposições básicas são corretas e que construímos através de um conhecimento correto?

Podemos ter essa segurança, segundo a ciência espiritual, somente quando nos basearmos no "ser", que é a realidade essencial. Assim estaremos baseados na verdadeira natureza, imaculada, sem o colorido da ilusão das preferências e sem enfoque no impermanente.

O conhecimento incorreto advém da percepção unicamente enfocada na forma, nos aspectos externos, no "ter", no ilusório e transitório, no impermanente. Eis a gênese do conhecimento errôneo e falso.
     
Para um conhecimento correto é necessário uma percepção, dedução e evidência corretas. Uma vida baseada no "ser".

Portanto, só conseguiremos esse conhecimento real a partir da meditação, estudo, concentração, reflexão e análise isentos de preconceitos, presunções, tradições e tudo mais que possa obstaculizar o pleno crescimento e evolução. Desse modo estaremos elevando o conhecimento para o nível de sabedoria.




Prof. Hermes Edgar Machado Junior (Issarrar Ben Kanaan)





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segunda-feira, 3 de julho de 2017

CRISES E EVOLUÇÃO


Apesar do termo ”crise” gerar um certo medo, desconforto e até repulsão na maioria dos homens, chega um momento na vida de encará-lo sob outros ângulos e conceitos.

É chegado o momento em que devemos ver uma crise, em todos os seus níveis, como a própria aceleradora e estimuladora das transformações, das transmutações e das mudanças significativas. Além disso, não devemos esquecer o ensino, já milenar, que nos mostra a crise como algo inerente à vida manifestada, ou seja, tudo o que é manifestado está sob o conflito de duas energias, uma subjetiva e outra objetiva. Uma tensão constante que conduz à crise para que se processe as mudanças, ou seja, a própria evolução. Se assim for o enfoque, estaremos aptos às mudanças, ao crescimento, ao serviço e à evolução.

A crise é um momento de tensão ou dificuldade. Dificuldade de integrar o novo e as novas possibilidades que surgem no caminho. Entretanto, a superação é um fato e mais cedo ou mais tarde ela ocorre. A superação é sempre, no final, construtiva, pois uma crise nos obriga a optar, a ir mais além, a buscar novas alternativas e decisões.

Como em qualquer época, hoje principalmente, podemos falar de diversas crises. E os fatores são diversos: passado/futuro, tendências/tradição, enganos/acertos, oportunidades/inércia, modelo de sociedade, sentido de vida, ser/ter, relacionamentos, missão/ecumenismo, individual/global, mundialização (economia, ideias, política, educação, comunicação etc.), redescoberta de que se é parte de um todo e “desaprender” certas coisas pela verdade. Poderíamos citar aqui, em continuação, muitos outros fatores geradores de crise.

Está muito claro que as crises despertam os seres da inércia e são fontes de experiências superiores. Por exemplo, cada país, cada grupo de países que está se formando e todos os países juntos do planeta estão percebendo, por um lado, nesse processo de globalização, suas deficiências, dificuldades, rebeldias, crises de valores diversos e medo de perder sua identidade. Contudo, por outro lado, percebem a riqueza de experiências que a unidade confere e ao estímulo às corretas relações. A humanidade acostumada a viver em grupos separados; as próprias pessoas também a viverem separadas; cada grupo e pessoa com a sua própria verdade relativa ou até mesmo uma ilusão particular são agora sacudidos por exigências intransferíveis e cada vez mais urgentes por “pressão” da alma e do ciclo evolutivo alcançado.

O amadurecimento ou a chegada do ritmo da alma fez com que a personalidade humana entrasse numa crise de adaptação. E a humanidade também está passando, como um todo, pelo mesmo processo e assim também os países. É o espírito de união, como uma necessidade de toda a natureza, que se faz presente. Tal união chega quando as coisas se desgastam com o tempo e a futilidade. E não conseguindo mais atuarem suficientemente e produtivamente entram em crise e desencadeiam, por este fato, rearranjos.

Uma das piores crises talvez seja a falta de objetivo na vida, a falta de direção ou meta. É um vazio existencial que, como personalidade humana, parece não haver solução e ser intransponível. Mas como a crise é um meio caminho entre um problema e uma solução, os caminhos às soluções estão abertos à novas luzes.

A constatação de que devemos estar junto às coisas num ritmo cooperativo e harmonioso e não sobre as coisas possessivamente, egoisticamente e como senhores, tem levado uma considerável parcela da humanidade a refletir sobre o quanto somos mesquinhos, apegados e presunçosos. Tal constatação tem impulsionado a humanidade a novos crescentes valores, tanto em nível pessoal quanto em nível social e vida de serviço. Nota-se assim, perfeitamente, como uma crise leva ao despertar social, existencial e espiritual.

A alma é uma verdadeira desbravadora, pois prepara a personalidade humana para a manifestação e atuação do ser interior e profundo; nesse preparo dão-se as crises entre a alma e a personalidade. E isso se processa, como estamos vendo, de diversas maneiras. Por exemplo, as crises podem advir de diversas formas ou situações ou reações: como uma iluminação da mente que nos faz ver a realidade; um acidente que altera um curso de vida; a separação de alguém que estamos fortemente ligados etc. O mecanismo evolutivo é “cego” aos nossos interesses particulares e somente vê o que é melhor para o indivíduo e coletividade.

Observa-se nisso que a crise é o momento em que a força da alma humana exige um mecanismo novo e harmônico. E no nível humano com sua necessidade evolutiva podemos dizer que a evolução está intimamente ligada ao desapego. Ao evoluirmos nos desapegamos e ao nos desapegarmos evoluímos. E as crises nascem exatamente da dificuldade de nos desapegarmos das coisas e situações de nossa personalidade e dos mundos onde atuam as personalidades, vida após vida.

Por isso, certamente, as crises nos fazem amadurecer, enfrentar a realidade e encontrar caminhos novos exigidos pela alma, pelo espírito. É uma luta conflitiva conosco mesmo, onde somos puxados por dois polos opostos. Atuam nos seres humanos levando-os a duas reações: uma como “um mal necessário” gerando guerras, doenças, conflitos etc., como já foi dito, mas que despertam algo no ser humano; outra levando os seres diretamente à conscientização, à paz, à saúde etc.

A natureza e os seres são naturalmente dinâmicos em sua interioridade e processos; e são as crises, provocando tensões, que impulsionam ou possibilitam a evolução e crescimento. A inércia é apenas uma visão distorcida e fragmentada do grande dinamismo universal. É apenas uma pausa entre uma crise e a solução. É um momento onde repensamos e reajustamos situações críticas e que exigem soluções. A própria crise movimenta a inércia e a própria inércia aciona a crise.

Assim se movem e evoluem os mundos e os seres. A “ânsia” evolutiva é a crise e a tensão em ação. Mistérios da vida aos nossos olhos, mas uma força benéfica que guia a tudo e a todos.





Prof. Hermes Edgar Machado Junior (Issarrar Ben Kanaan)







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sábado, 1 de julho de 2017

ÊXODO (SHEMÔT = NOMES)


O livro do Gênese (Bereshit, No Princípio, em hebraico), representa, simbolicamente, a "criação" (emanação), a "saída" dos seres de Deus, a "queda" e os caminhos "longe" de Deus. O livro do Êxodo (Shemôt, Nomes, em hebraico), por sua vez, representa, simbolicamente, o caminho de “retorno” a Deus, a saída do exílio.

Em primeiro lugar, para entendermos o verdadeiro sentido do texto, devemos ter sempre em mente que, conforme nos ensina Rav Mario Meir (Academia de Cabala), o “Egito e Israel não são pontos geográficos no planeta, mas dimensões espirituais - é importante que isso fique bem claro. Podemos estar em qualquer um dos dois neste exato momento. Tudo vai depender da forma com que lidamos com as coisas ao nosso redor, do modelo de vida que adotamos. O estado de exílio é um estado de enfermidade espiritual, a nossa incapacidade de receber a Shechiná (a Presença Divina). Saímos do exílio ao aprender a receber a Luz Espiritual em nossas vidas, ao perceber a unidade em todas as coisas.”

O Livro do Êxodo nos narra que Moisés libertou o povo do jugo egípcio. Êxodo quer dizer “saída” nas línguas greco-latinas. Essa libertação ("saída") não pode ser entendida como algo que ocorreu no passado. O processo de libertação é atemporal. Cada ser humano, através da evolução, vai se desligando do seu "Egito" interior, ou seja, de uma vida egoísta e inferior. Com o tempo e crescimento, depois de uma vida escrava das próprias inferioridades, o ser humano chega à "Israel", à "Canaan", que simboliza uma vida elevada, evoluída e plena de Luz.

Esse processo é simbolizado e narrado, como nos diz Z'ev ben Shimon Halevi, numa “jornada através do deserto que duraria 40 anos, ou um ciclo completo de experiência física, psicológica, espiritual e Divina, na qual os israelitas seriam submetidos a uma total transformação. (…) É o progresso do peregrino, de cada homem. A jornada, desde o começo dos tempos, através de todos os mundos e dos seus estágios (…). (Cabala Tolediana)

E o que é ou significa a condição humana de servidão?  É uma vida onde os únicos objetivos são: comer, trabalhar, dormir, procriar e divertir-se. E mesmo quando procura uma “religião” é somente para obtenção de benefícios pessoais e voltados para a vida material.

Para sair do seu "Egito pessoal" o homem deve, depois de anos de escravidão e servidão a si mesmo como ego, perceber primeiramente que estava vivendo como um mineral, um vegetal e um animal. Precisa humanizar-se, equilibrar-se, deixar de ser reativo em seu comportamento e buscar o significado da vida. Somente assim cada um conseguirá deixar de ser um escravo e cruzar as "águas do Mar Vermelho" pessoal, e rumar à "Canaan", à "Terra Prometida" do Espírito liberto, consciente, evoluído e proativo. Isso se processa individualmente e coletivamente. É a lei da evolução.

O verdadeiro crescimento e evolução espiritual é muito diferente de simplesmente ter afinidade ou gostar de uma tradição espiritual qualquer, de seguir uma cartilha determinada, ou comodamente ler lindas mensagens. Sabe-se que nenhum instrutor desperdiçará seu tempo com pessoas sem um objetivo claro na vida espiritual. Por isso nós nos autoqualificamos ou nós nos autodesqualificamos para a caminhada espiritual. Mas tudo em seu tempo.

Se quisermos sair da escravidão e desenvolvermos nossas potencialidades devemos assumir essa tarefa com consciência, disciplina e esforço. Muito lixo psicológico, mágoas, ressentimentos, apegos e tantas coisas da escravidão do "Egito" deverão ser deixadas para trás. O nosso “êxodo” pessoal deverá ser conquistado depois de muita servidão. Pois é na própria servidão que nos conscientizamos, com o passar do tempo e amadurecimento, que estamos seguindo caminhos obscuros e tortuosos.

Possamos ter olhos abertos ao ler as entrelinhas do Livro do Êxodo e, a partir de suas histórias simbólicas, míticas e ilustrativas, avaliar a que grau estamos na nossa servidão. Possamos ainda reavaliar se a nossa caminhada espiritual está sendo apenas o seguir uma tradição ou escola, enganados pelo nosso “oponente” interior (ego), que nos faz sentir satisfeitos (acomodados dentro da ilusão), ou estamos realmente conscientes e preparados para uma verdadeira e árdua caminhada e despertar.





Prof. Hermes Edgar Machado Junior (Issarrar Ben Kanaan)






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A VISÃO DE QUE PARA IMPLANTAR O "PROGRESSO" É NECESSÁRIO TRANSFORMAR OU DESTRUIR UMA CULTURA


Este pequeno texto exemplifica, baseado na história da África, o que publiquei no dia 12/06/2017, sobre missões, colonizações e síntese, no texto "Visão de Síntese".

Tanto no cristianismo quanto no islamismo (eXotéricos) encontramos a visão de transformação ou destruição de uma cultura ou religião para que seja implantada uma outra. No lado eSotérico destas religiões não há esse interesse, é obvio, porque a motivação é essencialmente espiritual.

O islamismo, que penetrou na África a partir dos tempos pré-coloniais, foi implantando sua cultura e misturando-se às religiões nativas de várias áreas do continente. Palavras, conceitos e tradições foram sendo incorporados em meio dos diversos povos que mantinham contato.

Com Omar, um dos responsáveis pela expansão do Estado árabe-muçulmano, o islão entra na África, pelo Egito. A Guerra "Santa" leva ao domínio sucessivo de diversos reinos, culturas e territórios. Ainda que a ideia fosse de conquista, era comum que as populações dominadas pudessem também manter ainda suas propriedades, costumes e administração. Um exemplo é dos cristãos coptas do Egito. Em troca pelas liberdades essas populações pagavam um imposto. Porém, tais liberdades não impediam a implantação de novas culturas e de misturas culturais e religiosas.

De forma semelhante, o cristianismo também deixou a sua marca na África, desde os tempos pré-coloniais e, com mais vigor, nos tempos coloniais.

Cabe aqui mencionar o poderoso movimento missionário cristão, a partir do ano 1840. Esses missionários foram penetrando no continente africano, ao contrário da penetração cristã colonial que concentrou-se na costa africana. Tal movimento missionário foi decisivo às lutas de conquista de territórios.

Esses missionários eram verdadeiros convictos e defensores da cultura ocidental como superior e civilizatória. Desejavam ver sua cultura substituindo a cultura africana. Praticamente iam destruindo a base das tradições e crenças africanas que estava alicerçada na unidade entre religião e vida. Embora houvesse uma reação africana a essa cultura ocidental, que lhes era estranha, as conversões e a introdução de costumes foram ganhando terreno.

Enfim, percebe-se que em qualquer tempo ou cultura, a ideia de levar "progresso", "cultura" e "religião" é uma constante. Cada povo e cultura vê a si mesmo, com as suas tradições, como os melhores e ainda imbuídos e destinados à missão de conquistar e fazer "progredir" outros povos.

A história nos mostra que em qualquer época é comum que missão, comércio, política e ideia de progresso ocorram simultaneamente, ou seja, fanatismo, presunção, prepotência, ignorância, lucro e poder marcam qualquer tempo histórico.

Para mais detalhes sugiro a leitura dos seguintes textos:

- "A Religião na África durante a Época Colonial", Kofi Asare Opoku

- "Expanción del Islan", Pierre Bertaux




                                               
Prof. Hermes Edgar Machado Junior (Issarrar Ben Kanaan)





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PROBLEMAS INFANTIS E JUVENIS (CAUSAS E POSSÍVEIS SOLUÇÕES)


A criança é plenamente acessível aos verdadeiros e genuínos valores, mas também a falsos e ilusórios valores, é óbvio. Aqui temos, assim, o princípio da responsabilidade de cada um no seu cuidado e trato em relação a infância e a juventude.

As crianças, em praticamente todas as épocas, sempre foram familiarizadas com o crime desde a mais tenra idade. E como toda a ideia tende a tornar-se em ato, são, os adultos, altamente responsáveis por expô-las ao contato com imagens e ideias de violência. Temos, portanto, uma das causas ou estímulos à violência infantil com suas consequências danosas em todas as idades.

Por outro lado, encontramos causas também dentro do lar. Nele pode ocorrer o excesso de cuidado, o vício da bebida, a falta de harmonia, a falta de carinho, a falta de diálogo, a violência e muitos outros problemas. A criança percebe e tudo registra; começa, então, a praticar atos e modelos de vida como consequência direta. A falta de responsabilidade e consciência dos pais pode gerar e estimular atos sérios, graves e até incorrigíveis durante uma existência toda, gerando, inclusive, fatores que irão influenciar uma futura encarnação.

Temos ainda a problemática da educação errônea, mal dirigida e mal intencionada que leva, também, a infância e a juventude, a efeitos danosos. A maioria das escolas apenas "empurram" teorias diversas, por força de imposição curricular e doutrinária da política social e econômica vigente. O que é útil, saudável e que poderia oportunizar a expressão nata e sadia das crianças e jovens ficam em segundo plano. A ideia de busca de uma finalidade e objetivo em todos os sentidos da vida estão, geralmente, sufocados por outros "interesses", restando-lhes o vazio existencial.

Estatutos, princípios, declarações de direitos da criança e dos adolescentes são criados com uma finalidade, porém desvirtuados e utilizados para fins de encobrir teorias sociais de matizes políticas. Pretender reformar e proteger a infância e a juventude somente submetendo-as e constrangendo-as está claro que é ineficaz; entretanto não podemos nos esquecer de que o extremo oposto é também danoso.

Podemos considerar que o êxito, ou o caminho para o êxito, está possivelmente na apresentação constante de certas verdades e valores convincentes, lógicos, comprovados e esperançosos.

Deve-se, em primeiro lugar, procurar compreender o mundo infanto-juvenil da melhor e mais profunda maneira, e levar em conta suas dificuldades e inexperiências para que se possa tentar resolver seus problemas, ou melhor, propiciar-lhes maneiras e incentivos para que possam desfrutar de uma vida mais plena e proveitosa.

A seguir, deve-se considerar a participação ativa da criança e do jovem aluno como essencial à sua educação. É fundamental, do ponto de vista da educação construtivista, que o aluno seja o agente da sua própria formação, e que o professor assuma o papel de motivador e orientador, superando a função e figura de um mero repassador de conteúdos. Infelizmente, o que se observa no construtivismo, ainda muito manchado de políticas e interesses, é que tem se prestado apenas de ser um pano de fundo para um alto grau de permissividade e falta de responsabilidade (pais, alunos e escola).

Todas as épocas possuem seus problemas. Hoje fala-se muito em crise de ética e meio ambiente. Contudo, a partir dessa crise, estamos vivendo o nascimento de novos valores e de uma consciência mais global, ecológica e social. E a criança deve ser estimulada e agregada na participação desse novo contexto. Estimulá-las desde cedo às praticas sociais e ecológicas sadias e tornar conhecidos os exemplos positivos da experiência humana será algo a ser cada vez mais exercido.

Os problemas infantis e juvenis não serão solucionados se lhes fecharmos os olhos às situações e desafios da vida cotidiana. É dentro desse contexto que as metas e objetivos deveriam ser enfatizados e trabalhados.

Toda a problemática continuará e se tornará mais grave se continuarmos o enfoque atual da civilização, ou seja, o existir para satisfazer apenas as "necessidades" humanas materiais.

Não se observa outro caminho ou saída a não ser que o homem lute para realizar sua imagem real, interior, arquetípica, sua própria totalidade. E a educação e a família deveriam enfatizar desde o início a preparação do ser humano, infância e juventude, para esse ideal. Tudo deveria ser organizado de maneira que a sociedade humana se subordine à meta primordial de garantir ao ser humano a sua autorrealização de acordo com a sua natureza interior, suas aptidões e tendências. Portanto, a capacidade de questionar, discutir, discernir e a responsabilidade social deveriam ser assumidas pelos adultos e estimuladas nos jovens.

A partir dessas ideias básicas, pode-se alimentar a esperança de um futuro melhor e de que os problemas sejam resolvidos da melhor maneira possível. E como as crianças serão os futuros pais, mestres e professores, poderiam transmitir e saber lidar mais profundamente e sabiamente com as bases e causas dos problemas que advirão em sua caminhada. Saberiam enfrentar todas as dificuldades e crises que fazem parte da natureza humana e que são necessárias como ferramentas de evolução, autorrealização e conscientização.




Prof. Hermes Edgar Machado Junior (Issarrar Ben Kanaan)





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Referências e sugestões bibliográficas:

- Educação na Nova Era, de Alice A. Bailey
- O Senso de Responsabilidade na Sociedade, de Torkom Saraydarian
- A Psicologia da Cooperação e da Consciência Grupal, de Torkom Saraydarian
- Ter ou Ser, de Erich Fromm