segunda-feira, 18 de março de 2024

SECTARISMO: O FLAGELO DA HUMANIDADE


O sectarismo em todas as suas nuances acompanha uma grande parte da humanidade. Seja na religião, seja na ciência ou em qualquer outro ramo do pensamento e conduta dos humanos tem pervertido e comprometido as relações humanas gerando vários conflitos através da história.

É sabido que pessoas com uma mentalidade sectária tende a ver os outros como objetos, não como indivíduos com suas próprias crenças, valores e experiências, daí surgem as guerras e conflitos sociais.

Em outras palavras, é possível afirmar que a mente sectária causa, dentre inúmeros outros fatores, o seguinte:

- Reduz a complexidade dos outros, pois mente sectária coloca as pessoas em caixas, categorizando-as como "nós" e "eles". Essa categorização leva a uma visão simplista e estereotipada dos outros, ignorando suas individualidades e aspirações;

- Desumaniza os outros porque desvaloriza a humanidade dos outros, tornando-os objetos a serem manipulados ou controlados. E isso pode levar à indiferença ou até mesmo à crueldade em relação aos outros, especialmente aqueles que são considerados "diferentes";

- Nega a autonomia dos outros. A mente sectária nega a capacidade dos outros de pensar e agir por conta própria. As pessoas são vistas como seguidores passivos de uma ideologia ou líder, sem autonomia ou autodeterminação.

Por exemplo, um membro de uma seita religiosa que acredita que somente o seu grupo será salvo pode ver os membros de outras religiões como "hereges" ou "pecadores". Um nacionalista extremista que coloca seu país acima de tudo pode ver os cidadãos de outros países como "inimigos" ou "uma ameaça". Consequentemente, essa maneira de pensar pode levar a uma série de consequências negativas, como: discriminação, intolerância, violência, desumanização.

Cabe lembrar que todos nós somos suscetíveis a ter pensamentos sectários de vez em quando. No entanto, é importante estar ciente desses pensamentos e desafiá-los, reconhecendo a humanidade e a individualidade de cada pessoa.

Podemos evitar a mente sectária através da educação, do diálogo e da promoção da empatia. É importante aprender sobre diferentes culturas e perspectivas, e desenvolver a capacidade de se colocar no lugar do outro. Ao reconhecer a humanidade dos outros, podemos construir um mundo mais justo e tolerante.

Uma análise sobre a mente sectária será articulada quando se aborda de forma abrangente os diferentes aspectos desse fenômeno. Destacar claramente como a mente sectária reduz a complexidade dos outros, desumaniza e nega sua agência, resultando em consequências negativas, como discriminação, fanatismo e violência é o primeiro passo para que sua insistência na mente humana seja desarticulada. Cabe, então,oferecer insights sobre como combater a mentalidade sectária, enfatizando a importância da educação, do diálogo e da empatia. Reconhecer a humanidade e a individualidade de cada pessoa é essencial para esse fim.

É importante ainda que cada um de nós esteja consciente dessas tendências e trabalhe ativamente para superá-las, buscando sempre o verdadeiro entendimento e respeito às diferenças entre as pessoas. Ao fazer isso, podemos contribuir para que isso ocorra de forma saudável e pacífica.



Prof. Hermes Edgar M. Jr.


Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/vectors/argumento-homem-bravo-silhueta-4057664/

sexta-feira, 29 de setembro de 2023

SENTIDOS SENSORIAIS E ESPIRITUAIS

 


Os seres humanos são, obviamente, criaturas sensoriais. Através dos cinco sentidos, eles percebem o mundo ao seu redor e aprendem muito sobre ele. No entanto, a busca incessante por sensações fortes pode levar a uma vida superficial e desorientada em diversas áreas da atuação humana, ou da vida em si mesma.

Os cinco sentidos são como uma janela para o mundo físico. Eles nos permitem ver, ouvir, sentir, cheirar e saborear o mundo ao nosso redor. Mas, para muitos de nós, eles também podem limitar. Quando nos concentramos apenas nos cinco sentidos, podemos perder de vista a dimensão emocional, mental e espiritual da vida.

A espiritualidade, por exemplo, que é considerada uma forma de conhecimento, transcende os sentidos físicos. É um conhecimento que vem do coração e da alma e que pode nos conectar com o divino, se assim o permitirmos.

Quando nos concentramos apenas nos cinco sentidos, geralmente nos tornamos escravos do mundo material. Podemos nos tornar obcecados por prazeres e sensações, e perder de vista o que é realmente importante na vida, como, por exemplo, uma missão, uma vocação, um desenvolvimento do saber numa determinada área, ou ainda o próprio crescimento espiritual.

Grandes Mestres do pensamento e sabedoria que já pisaram neste mundo indicaram que para alcançar uma vida mais plena e significativa, precisamos desenvolver nossos sentidos espirituais. Precisamos aprender a ouvir a voz de Deus, a sentir o amor do Divino e a ver a beleza do mundo espiritual.

Aqui estão alguns conselhos e sugestões, deixados por vários Mestres, para desenvolvermos os sentidos espirituais:

- Meditar regularmente: A meditação é uma ótima maneira de silenciar a mente e entrar em contato com a sua espiritualidade.

- Passar algum tempo na natureza: A natureza é um lugar poderoso para a conexão espiritual.

- Leitura de livros espirituais: Os livros espirituais podem nos ensinar sobre a natureza da espiritualidade e como desenvolver nossos sentidos espirituais.

- Fazer práticas espirituais: como oração, yôga, tai chi, chi kung, dança sagrada, mantras, visualizações, curas, divulgação escrita ou falada de temas edificantes etc. São inúmeras as práticas. Essas práticas podem nos ajudar a nos conectar com o Divino.

Desenvolver nossos sentidos espirituais é uma jornada de toda a vida. Não é algo que se alcança de repente. No entanto, com esforço e dedicação, podemos nos conectar com o mundo espiritual e viver uma vida mais plena e significativa.

Alguns exemplos de como os sentidos espirituais, muito além dos sentidos sensoriais, podem ser desenvolvidos, incluem:

- Visão espiritual: a capacidade de ver o mundo com os olhos do coração, percebendo a beleza e a divindade em todas as coisas e reinos da natureza.

- Audição espiritual: a capacidade de ouvir a voz de Deus, guiando e orientando nossos passos.

- Paladar espiritual: a capacidade de saborear a alegria e a paz da Presença divina.

- Olfato espiritual: a capacidade de sentir o amor e a compaixão do Divino.

- Tato espiritual: a capacidade de sentir a conexão com tudo o que existe.

Quando desenvolvemos nossos sentidos espirituais, podemos nos conectar com uma dimensão da realidade que está além dos sentidos físicos. Podemos experimentar a alegria, a paz e o amor do Divino e não nos arrastarmos no reino da ilusão. Entretanto, não devemos menosprezar os sentidos sensoriais, pois são as bases para que possamos subsistir e buscar os sentidos espirituais, desde que bem orientados e sublimados.



Prof. Hermes Edgar M. Jr.




Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

quarta-feira, 9 de agosto de 2023

CAIBALION - A FILOSOFIA HERMÉTICA


O Caibalion é um livro que apresenta os princípios herméticos, ou seja, a filosofia esotérica baseada nas tradições místicas do antigo Egito e da Grécia. Considera-se que foi publicado pela primeira vez no início do século XX. De autoria um tanto obscura, tornou-se uma obra de grande importância no estudo da filosofia oculta e do esoterismo.

Atualmente, o autor mais aceito desse livro é William Walker Atkinson. No entanto, é importante observar que a questão da autoria do Caibalion é envolta em certa controvérsia e falta de clareza histórica.

William Walker Atkinson era um escritor e editor prolífico do Movimento do Novo Pensamento, que floresceu no final do século XIX e início do século XX nos Estados Unidos. Ele escreveu extensivamente sobre temas relacionados à filosofia, esoterismo, ocultismo e desenvolvimento pessoal.

Embora Atkinson tenha escrito sob seu próprio nome e também usado vários pseudônimos, ele é amplamente aceito como o autor do Caibalion. O livro foi publicado pela primeira vez em 1908 e foi atribuído a "Três Iniciados", sem especificar seus nomes individuais. No entanto, muitos estudiosos e pesquisadores acreditam que Atkinson era um dos autores por trás desse trabalho.

Alguns nomes e pseudônimos atribuídos a W. W. Atkinson são: Os Três Iniciados, Magus Incognito, Theron Q. Dumont, Yogue Ramacharaca, Theodore Sheldon, Swami Panchadasi e Swami Bhakta Vishita.

O livro em questão apresenta sete princípios fundamentais que, de acordo com a tradição hermética, governam o funcionamento do universo. Esses princípios são:

O Princípio do Mentalismo: afirma que "Tudo é mente, o universo é mental". Isso significa que a realidade é uma manifestação da mente, e que nossos pensamentos e crenças têm um impacto direto na nossa experiência do mundo.

O Princípio da Correspondência: expressa a ideia de que há uma correspondência entre os planos mental, físico e espiritual do universo. O que está em cima é como o que está embaixo, e vice-versa. Isso sugere que os padrões e leis que governam o universo são os mesmos em todos os níveis da existência.

O Princípio da Vibração: ensina que tudo está em constante movimento, vibrando em diferentes frequências. Tudo no universo, desde partículas subatômicas até estrelas distantes, está em um estado vibratório. Essas vibrações podem afetar nossos pensamentos, emoções e saúde.

O Princípio da Polaridade: sugere que todas as coisas têm polaridades opostas, como o bem e o mal, o amor e o ódio, o calor e o frio. Essas polaridades são complementares e inseparáveis, e a compreensão delas nos ajuda a equilibrar as energias opostas dentro de nós mesmos.

O Princípio do Ritmo: declara que tudo tem fluxo e refluxo, movimento de avanço e retrocesso. Há ciclos e padrões que regem a vida e o universo, e entender esses ritmos nos permite fluir em harmonia com eles.

O Princípio de Causa e Efeito: afirma que toda causa tem um efeito, e todo efeito tem uma causa. Nada acontece por acaso, e cada ação gera uma reação correspondente. Compreender essa lei nos lembra da responsabilidade de nossas escolhas e ações.

O Princípio de Gênero: reconhece que há uma dualidade nos aspectos masculino e feminino de tudo no universo. Essa dualidade não se limita ao gênero físico, mas se estende a todas as formas de criação e expressão.

O Caibalion oferece uma visão abrangente sobre esses princípios herméticos e busca explorar seu significado e aplicação em nossa vida diária. Ele nos encoraja a desenvolver uma compreensão mais profunda da natureza do universo e de nós mesmos, além de fornecer um caminho para alcançar sabedoria, equilíbrio e harmonia.

Além dos princípios herméticos mencionados anteriormente, o Caibalion também aborda outras ideias e conceitos relacionados à filosofia hermética, tais como:

A Lei da Mentalidade: o Caibalion enfatiza a importância da mente e do pensamento na criação da realidade. Segundo essa lei, nossos pensamentos e crenças moldam nossa experiência e nossa capacidade de manifestar nossos desejos.

A Unidade de Tudo: o livro ressalta a noção de que tudo no universo está interconectado e é parte de um todo maior. Isso implica que não estamos separados do universo e que nossas ações têm um impacto não apenas em nós mesmos, mas também no mundo ao nosso redor.

A Alquimia Interior: a alquimia é uma prática antiga associada à transformação e evolução espiritual. O Caibalion sugere que assim como os alquimistas buscavam transformar metais inferiores em ouro, também podemos buscar transformar e aperfeiçoar a nós mesmos, alcançando um estado mais elevado de consciência. Transformar o "chumbo" da personalidade no "ouro" da consciência superior (self). A elevação da consciência acima das limitações da matéria.

O Conceito de "O Todo": o livro menciona repetidamente a ideia de "O Todo", uma entidade ou força que engloba e permeia tudo no universo. Algumas interpretações consideram "O Todo" como uma representação do divino ou da consciência cósmica.

A Importância da Sabedoria Prática: o Caibalion destaca a importância de aplicar os princípios herméticos em nossa vida cotidiana. Não basta apenas entender esses conceitos intelectualmente; devemos incorporá-los em nossas ações e escolhas para alcançar verdadeira sabedoria e transformação pessoal.

A Busca pela Verdade: o livro incentiva os leitores a buscar a verdade e o conhecimento por si mesmos, em vez de aceitar cegamente as crenças e ensinamentos de outros. Acredita-se que a verdade está dentro de nós e pode ser descoberta por meio da introspecção e da busca interior.

A Importância da Harmonia: a filosofia hermética enfatiza a busca pelo equilíbrio e harmonia em todas as áreas da vida. Isso envolve equilibrar polaridades, como o trabalho e o descanso, o esforço e o relaxamento, a ação e a contemplação, a fim de alcançar um estado de equilíbrio e plenitude.

Essas são apenas algumas ideias adicionais tratadas no Caibalion. Como é uma obra aberta à muitas interpretações, pode-se encontrar significados e insights únicos dentro de seus ensinamentos.

Devemos sempre levar em conta que o Caibalion é considerado um resumo e uma interpretação dos princípios herméticos antigos, em vez de uma tradução literal dessas tradições. Alguns argumentam que o livro pode ter sido escrito como uma forma de trazer as ideias herméticas para um público mais amplo e torná-las mais acessíveis e compreensíveis na época em que foi publicado.

Um outro ponto a ser considerado é que estudiosos sugerem, mas sem certeza historiográfica, que o Caibalion faz parte de um antigo livro chamado, talvez, de Livro de Hermes, e que aquele seria uma parte deste.

Como mito, Hermes Trimegistro era conhecido como o deus Thot, o "Três Vezes Grande".

Na introdução do livro "O Caibalion" - edição definitiva e comentada, 2ª ed., 2018, p. 62, Ed. Pensamento, lemos o seguinte:

"Nenhum fragmento dos conhecimentos ocultos possuídos pelo mundo foi tão zelosamente guardado, como os fragmentos dos Preceitos Herméticos que chegaram até nós ao longo das dezenas de séculos já transcorridos desde o tempo do seu grande criador Hermes Trimegisto, o "escriba" dos deuses, que viveu no Antigo Egito quando a atual raça humana estava em sua infância."

E no capítulo 1, p.68, do livro supra citado lemos:

"... entre esses Grandes Mestres do Antigo Egito, existiu um que eles proclamavam como o "Mestres dos Mestres". Esse homem, se é que se tratava realmente de um "homem", viveu no Egito na mais remota Antiguidade. Era conhecido pelo nome de Hermes Trimegisto..."

Embora a autoria específica do Caibalion ainda seja debatida e não haja uma confirmação definitiva sobre os autores, o livro continua sendo uma obra influente e valiosa no campo da filosofia hermética e do esoterismo, fornecendo uma exploração acessível e interpretativa desses princípios antigos. A obra continua sendo uma fonte valiosa de inspiração para aqueles que buscam explorar os aspectos ocultos da existência e aprofundar sua compreensão espiritual.

Outro ponto a ser argumentado é sobre a possível ligação entre a Cabala hebraica e o Caibalion, pois ambos os sistemas são de conhecimento esotérico. Entretanto, eles têm origens diferentes e abordam temas mais ou menos distintos, pelo menos no seu aspecto mais exterior. A Cabala hebraica é um sistema místico e filosófico que se desenvolveu na tradição judaica, enquanto o Caibalion está mais diretamente relacionado à tradição hermética, que tem influências greco-egípcias. Mesmo assim, alguns autores sugerem que há uma mesma origem etnológica entre Caibalion/Kybalion e Cabala/Qabalah/Kabbalah, e, por isso, talvez alguma origem comum em seus conhecimentos.

A Cabala hebraica é um sistema complexo que busca compreender a natureza do universo, a relação entre o divino e o humano, e o significado oculto das escrituras sagradas judaicas, como a Torá. Ela envolve a interpretação de textos sagrados, como o Livro do Zohar, e usa um conjunto específico de símbolos, como as sefirot e as letras hebraicas, para representar as forças e os princípios divinos.

Por outro lado, o Caibalion é baseado na tradição hermética, que se originou durante o período greco-egípcio, como mencionado anteriormente. Embora possa haver algumas sobreposições conceituais, como a ideia de correspondência entre os planos mental e espiritual, os princípios do Caibalion são apresentados de uma maneira mais ampla e geral, abrangendo os aspectos universais do funcionamento do cosmos e da mente.

É importante reconhecer que tanto a Cabala quanto a tradição hermética têm raízes antigas e influenciaram diversas correntes de pensamento ao longo da história. No entanto, em termos de suas origens e abordagens específicas, eles são distintos.

É possível que algumas pessoas possam encontrar paralelos ou correlações entre os princípios herméticos do Caibalion e certos aspectos da Cabala hebraica. No estudo das tradições esotéricas, as pessoas frequentemente fazem conexões e associações entre diferentes sistemas de conhecimento para obter uma compreensão mais ampla e integrada do universo e da experiência humana. No entanto, é importante lembrar que cada sistema tem sua própria estrutura e contexto específicos.

O Caibalion influenciou e tem influenciado bastante sobre as escolas esotéricas e as correntes de pensamento contemporâneas. Desde a sua publicação, o livro tem sido amplamente lido e estudado por aqueles interessados em filosofia esotérica, ocultismo, espiritualidade e desenvolvimento pessoal, e ainda popularizou os princípios herméticos e tornou-os acessíveis a um público mais amplo.

Muitas escolas esotéricas e grupos espiritualistas basearam parte de seus ensinamentos nos princípios herméticos apresentados no Caibalion. Esses ensinamentos têm sido utilizados como base para explorar conceitos como a natureza da mente, a criação da realidade, a lei da atração, a alquimia interior e a busca pela sabedoria e transformação pessoal.

Além disso, o Caibalion influenciou escritores, estudiosos e praticantes esotéricos ao longo do século XX e até os dias atuais. Muitos autores e professores incorporaram os princípios herméticos em suas obras e ensinamentos, expandindo e adaptando essas ideias para diferentes contextos e tradições.

Embora seja importante reconhecer que o Caibalion é uma interpretação moderna e resumida dos princípios herméticos, ele serviu como uma porta de entrada para muitas pessoas interessadas em explorar a filosofia esotérica. Sua influência tem sido amplamente sentida nas correntes esotéricas contemporâneas, ajudando a moldar a compreensão e a prática espiritual de muitos indivíduos ao redor do mundo.



Prof. Hermes Edgar Machado Junior



Fonte da Gravura: AI (IA)


Bibliografia e sugestões de leitura, todas de W. W. Atkinson:

- O Caibalion: edição definitiva e comentada
- O Poder Espiritual ou a Fonte Infinita
- A Força do Pensamento
- A Perfeição da Raça
- Conhece-te!
- O Poder da Vontade
- A Ciência da Palavra
- A Magia Menta
- O Trabalho Mental
- As Forças Ocultas
- A Lei da Atração no Mundo do Pensamento

domingo, 3 de dezembro de 2017

TZIMTZUM


Tzimtzum (da Luz Infinita) significa, aproximadamente: contração, retração, esvaziamento, recuamento, ocultamento.

É o "recuo" voluntário da Divindade, para que um mundo finito viesse a existir, através do processo de emanação.

Como Deus é Infinito, sem o Tzimtzum não haveria uma "área vazia" na qual se pudesse produzir a estrutura espaço-tempo de uma criação.

Para a cabala luriânica, o Tzimtzum inicial, e os atos subsequentes de Tzimtzum que ocorrem em cada estágio da criação geram as Sefirot restritivas do "lado esquerdo" e, no fim, as forças do "sitrá achará" ("o outro lado", "as forças oponentes").

Embora seja uma parte necessária da criação, a autocontração divina faz surgir um mundo carente de retificação (Tikun/Karma), devido ao choque entre as forças restritivas e o transbordante amor divino. Esse choque expressa-se na imagem da "quebra dos vasos" (Shevirat haKelim) que deveriam conter toda a Luz Divina.

O Tzimtzum explica como um Deus infinito poderia dar existência a algo finito.

Metaforicamente, é Deus "ocultando-se" na Sua Criação, para que os mundos e os seres pudessem ter o senso de sua própria "separação" de Deus. Se Ele não estivesse "escondido" (oculto), nada mais poderia ser percebido por causa de Sua Magnitude e Luz Absoluta.

Entretanto, a existência dos mundos e dos seres "independentes" é só na aparência, e a alteridade de Deus é uma ilusão, pois nada pode existir que não contenha a Sua infinitude.

O mundo, portanto, existe na intimidade divina e se reveste da natureza divina que apenas está oculta.

Não há um Deus separado, uma criação do "nada"; tudo é um processo monístico (monismo) que se apresenta aos nossos olhos míopes como panteísmo, politeísmo e monoteísmo.

A divindade é transcendente sem deixar de ser imanente.

Aceitar algo fora de Deus é o mesmo que crer numa limitação de Deus; o Absoluto não pode estar fora de nada, pois, por este fato, deixaria de ser Absoluto.




Prof. Hermes Edgar Machado Jr. (Issarrar Ben Kanaan)





Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/espiral-ilumina%C3%A7%C3%A3o-nuances-de-cores-2817979/

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

BIG-BANG - TZIMTZUM - EVOLUÇÃO

“O 'Princípio' ampliou-se e fez um palácio para si mesmo, para glória e louvor. Ali semeou a semente sagrada (…) Assim que a semente entrou, o palácio encheu-se de luz. Dessa luz jorraram outras luzes, centelhas voando pelos portais e dando vida a tudo.” (Sefer haZohar)

A teoria do big-bang explica, em simples palavras, que havia, no princípio, um ponto ou semente de energia de proporções menores que um próton. Ao seu redor havia o “nada”. Num dado momento, “no princípio”, esse ponto explodiu lançando para todos os lados uma carga de energia que, à medida que ia se afastando do centro, formava os universos e os mundos.

Assim sendo, o “Nada Absoluto”, o “Ayin”, o “Zero”, o Deus Transcendente dá origem ao “Ayin Sof”, o “Um”, o Infinito, o “Tudo Absoluto”, o Deus Imanente. Na cabala, "Nada" e "Tudo" significam o mesmo. Porém, “Deus desejou ver Deus”, e esse desejo ou vontade tornou-se Luz, o “Ayn Sof Or”, a Luz Infinita. E “Deus desejando ver Deus” desencadeou uma “separação não separada”, de modo a Deus poder “olhar” para Deus. Isso foi realizado por uma “concentração” (Tzimtzum) no “Tudo Absoluto”, tendo como finalidade gerar um “lugar” (Makom), um “espelho”, a existência manifesta, um “lugar esvaziado” para a futura “existência existir”, lá “no começo”, “no princípio”. Na verdade, Deus não retirou-se, mas ocultou-se (Tzimtzum) para que o finito pudesse existir. 

E do lugar oculto, o "Ayin Sof Or" enviou ou penetrou um Raio de Luz de sua Vontade (Kav), conhecido como “Ehyeh” (Eu Sou). E dessa emissão do Kav deu-se a origem de toda a "criação", manifestando-se em Dez Emanações Divinas (as Sefirôt da Árvore da Vida). O Raio de Luz, o Eu Sou, então, fez sua trajetória até o centro do “lugar esvaziado para a existência”, e formou, em sua trajetória, a grande Árvore da Vida (Etz Chaim), ou seja, o Eu Sou manifestando-se como Kêter (a Coroa, a Vontade), Chochmá (a Sabedoria), Biná (a Inteligência), Chêssed (o Amor, a Misericórdia), Gvurá (o Rigor, a Força, o Julgamento), Tifêret ( a Beleza, o Coração do Céu), Nêtzach (a Eternidade, a Duração, a Vitória), Hod (o Explendor, a Glória, a Reverberação), Yêssod (o Fundamento, a Base, a Sexualidade) e Malchút (o Reino, a Receptividade). A partir de então, surge o Adam  haKadmon (o ser arquétipo, “criado à imagem e semelhança de Deus”) que contém a Árvore da Vida e é contido na Árvore da Vida.

Em Malchút, o Eu Sou manifesta-se como Shechiná, a Divina Presença Eu Sou, que está no íntimo de toda a manifestação (mundos e seres). Na maçonaria e na rosacruz, dentre outras ordens, a Shechiná está representada no centro do templo, como um pequeno altar triangular, sustentando três velas (luzes) e o Livro da Lei, dentre outros objetos ritualísticos. Representa, simbolicamente, a Presença de Deus (Eu Sou) no mundo, no templo e em cada criatura.

A "criação" "distanciou-se" do Criador. Entenda-se que a "criação" é o próprio Criador “distanciado” de si mesmo (“Deus desejou ver-se a si mesmo”), pois nada pode existir fora do Absoluto e Infinito, senão o Absoluto e Infinito deixaria de ser o Absoluto e Infinito. Tendo-se distanciado, necessitou de um caminho de retorno, depois de cumprir o caminho de “descida”. Temos, então, o longo caminho de “subida”. Caminho este que todos os seres e mundos percorrem. É Deus “retornando” a si mesmo.

Portanto, nesse afastamento e retorno, encontra-se o possível segredo da existência: o aperfeiçoamento dos seres e dos mundos (a evolução, o despertar), o aperfeiçoamento de Adam haKadmon, que é a própria imagem de Deus. Em outra palavras, como escreveu o cabalista Warren Kenton, “o segredo da Existência é um espelho no qual o homem reflete a Imagem do Divino, para que, assim, Deus possa contemplar Deus.

Numa rápida e superficial visão e omitindo muitos detalhes e pormenores, procurei mostrar que a "Criação" Divina (emanação) não é obra do acaso. Há um propósito perfeito e definido, embora não nos seja possível, neste nosso atual grau evolutivo, de o sabermos em termos claros, precisos e definitivos. Tudo constitui-se, na verdade, numa viagem da inconsciência à consciência, e desta à uma super consciência. Muitas dificuldades a vencer. “Muita dor propulsionando a evolução, mas a própria evolução anulando progressivamente a dor”, como disse o filósofo Pietro Ubaldi.

Dukkha, Samsara, Nirvana e as Quatro Nobres Verdades do budismo nos mostram muito similarmente o processo do Tzimtzum da cabala, em outras palavras.



Prof. Hermes Edgar Machado Junior (Issarrar Ben Kanaan)




Fonte da Gravura: https://pixabay.com/en/big-bang-explosion-pop-fireball-422305/




Referências e sugestões bibliográficas:

-“Adão e a Árvore Kabalística”, Z'ev Ben Shimon Halevi
-“Universo Cabalístico”, Z'ev bem Shimon Halevi
-“A Grande Síntese”, Pietro Ubaldi
-“A Cabala”, Rabino Alexandre Safran
-“A Cabala”, Henry Serouya
-“A Rosa de Treze Pétalas”, Rabino Adin Even Ysrael
-“As 3 Dimensões da Kabalá”, Rav Chaim David Zukerwar
-“Cabala: Novas Perspectivas”, Prof. Moshe Idel

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

ESOTERISMO BÍBLICO - ALEGORIA DO PATRIARCA JACÓ (Gênesis, 27 a 50)

“A fé cega e a crença são parasitas que só florescem no estéril campo da ignorância e da indolência.” (Carlos Brandt)

As Escrituras Sagradas, de todas as tradições, revelam verdades eternas, atemporais, tais como as leis do ser, as experiências místicas interiores e a evolução dos mundos e seres. O mito, os símbolos e as histórias são panos de fundo para mostrar, aos que têm olhos e condições evolutivas de ver além da “letra morta”, operações do Altíssimo na natureza, universos e seres.  Mostram as operações e experiências místicas e esotéricas do gênero humano em geral, o despertar gradual da consciência humana e as grandes iniciações do homem e da humanidade.

O Antigo testamento, em questão neste artigo, trata com riqueza simbólica e mitológica diversas experiências que o homem, os homens, as nações, o planeta e os universos passaram, passam e passarão no que se refere à evolução.

Uma das passagens bíblicas se refere ao Patriarca Jacó. Na longa vida de Jacó, a Bíblia narra a lenta e penosa transformação de uma pessoa desonesta e egoísta num homem sagrado de Deus, quando Jacó se torna Israel. A história ilustra, na verdade, os três níveis da humanidade: Esaú representa o nível físico, instintivo e emocional; Jacó e Labão o nível mental; e Israel o nível espiritual. Do ponto de vista esotérico, esses nomes representam estágios no caminho da iniciação espiritual. (conf. Baughman)

Jacó e Esaú, filhos de Isaac e Rebeca, não deram no início da vida nenhuma indicação de estarem à altura da herança que haviam recebido. A diferença entre esses gêmeos era evidente desde o nascimento, quando Jacó, “o que suplanta”, nasceu segurando o calcanhar de Esaú, o “ruivo”. (conf. Fillmore) O Criador havia explicado a Rebeca que duas nações estavam em seu ventre, e que o mais velho iria servir ao mais novo. Esaú iria tornar-se pai dos Edomitas, um povo que habitaria o deserto ao sul do Mar Morto, em geral subserviente aos descendentes de Israel (Jacó), na parte norte.

A traição com que Jacó trapaceou Esaú, tirando-lhe seu direito de primogênito e, mais tarde, a bênção paterna, é descrita nessa famosa história do Velho Testamento. Como nas histórias anteriores (Abel e Set suplantaram Caim; Sem suplantou Caim e Jafé; Abraão tomou a frente com a morte do irmão Harã; Isaac era o legítimo herdeiro, em vez de Ismael), eis aqui uma história em que o “fraudulento” e “mentiroso” Jacó rouba a herança de Esaú. Parece ser uma lei da eugenia espiritual que aqueles nascidos mais tarde sejam mais evoluídos e, portanto, mais qualificados para promover a evolução do seu povo.

A história de Esaú e Jacó tem certas semelhanças com a história do “filho pródigo” das Escrituras Cristãs. Ou seja, o prazer proporcionado pela vida sensorial dura até que o vazio e a falta de significado dessas experiências forcem a alma a "dar as costas" para o que é material e voltar-se para o espiritual. Esaú é um exemplo de pessoa que se concentra principalmente no plano físico da existência e que, sendo uma pessoa cuja mente está voltada para as coisas materiais, teria de servir a Jacó, uma pessoa mais voltada para as coisas espirituais, até evoluir para um nível mais espiritualizado. O corpo e as emoções não devem acaso servir à mente e à alma? (conf. Heline)

Os principais acontecimentos na vida de Jacó representam aventuras na ascensão da consciência, passos ilustrativos da iniciação ao longo do caminho espiritual. A primeira experiência aconteceu quando Jacó estava correndo rumo ao norte, aparentemente para procurar uma esposa em Harã mas, na realidade, fugindo da ira assassina do irmão Esaú. Cheio de medo e de culpa com a enormidade dos seus pecados e aflito devido ao exílio forçado, Jacó pegou no sono e teve a sua famosa visão de uma “Escada” que conduzia ao céu, com anjos subindo e descendo. Estava assustado, mas sabia que o Senhor o estava guiando e zelando. Jacó despejou óleo em seu travesseiro de pedra e consagrou-o a Deus, prometendo-Lhe um décimo de tudo o que ganhasse.

Jacó estava fugindo de Berseba, um lugar de consagração, para as montanhas de Harã, um lugar de consciência elevada. No simbolismo das Escrituras Sagradas, monte e montanha sempre simbolizam uma elevação de consciência. Seu sono significava que os sentidos exteriores estavam amortecidos; seu travesseiro de pedra tem paralelo com a sabedoria da “pedra filosofal” dos alquimistas. Os anjos subindo e descendo a escada representam os níveis da consciência, de Deus até a humanidade.

De um ponto de vista cósmico, a escada revela todo o plano de evolução que o Grande Arquiteto (o Deus de nossos corações) projetou. As almas "descem" do céu para a materialidade e, então, "sobem" novamente. A “Terra Prometida” a Jacó significa um corpo regenerado e purificado. O ato de despejar óleo sobre a pedra indica a sabedoria e compreensão obtidas com essa visão, um paralelo com o “desbastar da pedra bruta”, ou com a “reforma íntima”.

Ao continuar sua viagem para o leste, Jacó encontrou três rebanhos de ovelhas deitados ao lado de um poço. Os rebanhos não podiam beber água, pois havia uma grande pedra na boca do poço. O “leste”, na filosofia esotérica, é associado à fonte de luz. (conf. Heline) A tarefa de Jacó era remover a pedra da ignorância, do preconceito e da superstição, tirando-a do poço da verdade viva, para que ele pudesse beber das águas da vida. Aqui ele encontrou sua prima Raquel, que viera para dar água às ovelhas do pai. Raquel representa a alma, a divindade feminina, alimentando outras almas (rebanhos de ovelhas). A busca do ser humano pela alma é ilustrada pelos 14 anos de luta de Jacó para tomar Raquel por esposa. Somente quando coordenarmos nossa personalidade (é uma luta constante) poderemos ouvir a alma e beber das suas águas (sabedoria).

Na casa de seu tio Labão, em Harã, Jacó encontrou alguém à sua altura em matéria de astúcia. Uma interpretação literal do Gênesis indicaria que os dois aplicaram truques desleais um ao outro durante 21 anos. Jacó certamente foi o perdedor nas disputas pelas noivas Lia e Raquel, mas levou a melhor sobre Labão na disputa pela riqueza representada pelos rebanhos de ovelhas. O nome Labão significa “branco” ou “brilhante” (conf. Heline), indicando que ele era mestre espiritual de Jacó. Jacó levou sete anos para receber a mão de Lia, a irmã mais velha, menos favorecida e menos evoluída. Os nossos primeiros anos no caminho espiritual são longos, penosos e difíceis. Foram necessários mais sete anos de trabalho duro para ganhar a qualidade de alma personificada por Raquel, a irmã mais nova. (conf. Fillmore) A maturidade espiritual não vem da noite para o dia, exige muita reforma íntima e conhecimento de si mesmo.

Os dez filhos e a filha de Jacó com Lia e com sua serva (Bala) e também com a serva de Raquel (Zelfa) representam os atributos da personalidade duramente adquiridos. Estas eram as qualidades a serem conquistadas antes que a alma (casamento com Raquel) pudesse frutificar. (conf. Heline) Somente depois que Jacó conquistou uma personalidade plenamente integrada (psicossíntese) é que Raquel finalmente deu à luz ao filho José, “aquele que tira a luz da escuridão”. Depois que os níveis espirituais são alcançados, eles precisam ser expressos na vida cotidiana. “A fé sem obras é morta.” Jacó, então, tinha trabalhado para Labão durante 21 anos. Era chegado o momento de retornar à sua própria terra levando a luz.

Depois de alguns acertos de contas com Labão, todos de significado espiritual, Jacó, suas esposas, filhos e grandes rebanhos foram para Canaã. Entretanto, ele soube que Esaú, com 400 homens, estava vindo ao seu encontro. Jacó ficou assustado e rezou a Deus pedindo ajuda. Essa história nos diz que Jacó ainda tinha algumas forças rebeldes na sua natureza, as quais ele tentou expiar mandando presentes para Esaú.

Em outra ocasião, enquanto dormia, Jacó teve uma nova visão, na qual lutava a noite toda com alguém até que, finalmente, descobriu que não somente não conseguia dominá-lo, como também descobriu o caráter sobrenatural do seu adversário, um anjo de Deus. Após essa descoberta passou a exigir-lhe uma bênção. O adversário, visto como um anjo, deslocou, então, a articulação da coxa de Jacó, fazendo com que a luta parasse. Isso indica sua luta interior com as sombrias forças interiores, com aquelas lições de vida que ainda estavam por ser aprendidas. Ao vencer seu desesperado desafio, ele teve uma visão interior que descreveu como “ver a face de Deus”. Já ao romper do dia, significando um novo nascimento e um novo nome, Jacó ganhou o nome de Israel por ter sido “forte contra Deus e contra os homens.” Tendo visto e vencido o anjo do Senhor, Jacó estava espiritualmente apto para enfrentar qualquer circunstância adversa que a vida lhe impusesse e para agir com amor e de forma correta.

Entretanto, ele foi suficientemente esperto em proceder com cautela no seu encontro com Esaú, que poderia ainda estar ressentido. Aqui a Bíblia oferece uma linda descrição de um rito de iniciação em que o mal é transmutado em bem. Nesse encontro, Jacó “viu Deus” em Esaú e abraçou-o com ternura e compaixão. Esaú também tinha crescido espiritualmente e deu as boas-vindas a Jacó sem nenhum resquício de ressentimento pelos antigos maus-tratos.

Nos anos seguintes, Jacó teve outras oportunidades para pôr à prova e aperfeiçoar suas qualidades espirituais, até que, finalmente, sua comunhão com os mundos superiores foi consumada. Isso descreve aquilo que conhecemos hoje como a “continuidade de consciência”. Agora, a fusão do espírito com a alma, ou seja, de Jacó com Raquel, estava concluída. Sua união foi abençoada com o nascimento do décimo segundo e último filho, Benjamim. Nos 12 filhos de Jacó vemos as características do Ser divino "dentro" dos seres humanos.

Em virtude da conversão espiritual vivida por Jacó, que, assim, ganhou o nome de Israel, a nação de Israel nasceu espiritualmente. (conf. Bock) A família de Jacó estava mudando de Harã, na Babilônia, para o local conhecido hoje como Palestina, a terra natal de seu pai Isaac, que herdara de Abraão. Com o nascimento do décimo segundo filho, Benjamim, a família tornou-se, finalmente, uma nação com sólidas raízes. Graças à purificação de sua vida religiosa e à força de caráter que os capacitou a responder aos desafios da vida com crescimento espiritual, eles desenvolveram as faculdades mentais e o senso de responsabilidade pessoal, que chegaram até eles juntamente com um influxo de energia da alma.

Os três valorosos patriarcas (Abraão, Isaac e Jacó) seriam seguidos por um quarto grande líder, José. Ele foi o primogênito de Raquel e Jacó, um homem predestinado e o salvador da raça hebraica em épocas difíceis que estavam por vir. Mas isso é tema para outro artigo.

Como me referi no início deste artigo, nunca podemos deixar de entender o fato de que os “personagens” bíblicos, com raras exceções, nunca existiram; são somente símbolos e arquétipos, comum a todas as tradições do mundo. A essência e a mensagem são as mesmas; o que muda é o cenário, a representação. São personificações de atitudes e da grande caminhada dos mundos, povos e de cada ser humano individualmente, caminhando das trevas à luz, do profano ao iniciado.

Que isso possa nos inspirar na nossa senda evolutiva, fazendo-nos compreender que a caminhada é longa e árdua; muitas vidas, muita ação e reação, encontros e desencontros e muita reforma interior são as exigências para sermos “fortes até perante Deus”, e retornarmos ao “paraíso perdido”, ou seja, a mundos superiores de muita luz.



Prof. Hermes Edgar Machado Junior (Issarrar Ben Kanaan)




Fonte da Gravura: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg6XAhOWeevEgcnq8yfBR53tb9jJaU7qvCyGZVpJgniB8gIemnf4PhEdWQ2tLFQQnnHiHTBNcIGr1fwgQQuQtV1IKMKv6wYTRl6NklDzv-vH12nL8g7yQzgn3J4wmUwcL5XldG__nVlwJPf/s1600/Aprediz+Mason.png





Referências e sugestões bibliográficas:
-“Gênesis: uma interpretação esotérica”, Sarah Leigh Brown
-“A Bíblia como uma História Pessoal: uma jornada para a luz”, John Lee Baughman
-“Gênesis, Criação e Patriarcas”, Emil Bock
-“Dicionário de Metafísica Bíblica”, Charles Fillmore
-“Mistérios do Livro Gênesis”, Charles Fillmore
-“A Bíblia e as Estrelas”, Corinne Heline
-“Uma Nova Interpretação Bíblica: Velho Testamento, vol 1, Corinne Heline
-“O Conceito Rosacruz do Cosmos”, Max Heindel
-“A Epopeia de Gilgamesh e Paralelos com o Velho Testamento, A. Heidel

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

NADA SE CRIA, NADA SE PERDE, TUDO SE TRANSFORMA


Para que se possa entender um pouco mais sobre o processo reencarnatório, devemos ter em mente, como nos diz o Rabino Philip Berg, que "... cada indivíduo ... é composto de duas partes - a função corporal e a função espiritual ou função interna. O corpo pode entrar em coma, mas a função interna pode continuar totalmente consciente do que está acontecendo ...".

Rav Berg cita ainda a pesquisadora Dra. Elisabeth Kubler-Ross, "...cujos pacientes quase sempre informam haver experimentado, após a morte clínica e a recuperação, um longo túnel com uma luz em seu final."

E é no Sefer haZohar que encontramos uma descrição curiosa e semelhante quando da morte do corpo físico, e que Rav Berg nos esclarece: "O Zohar nos diz que quando a morte do corpo físico ocorre, a alma imediatamente viaja para Hebron, onde está Adão, e que esta viagem se faz por um longo túnel."

Rav Berg nos relata também que a experiência do "túnel" é praticamente inerente a todos os povos, sejam judeus, cristãos, agnósticos ou qualquer outra crença. Por isso nos escreve, fazendo referência à experiência do túnel quando do retorno após a morte clínica: "... dificilmente pode ser produto de uma cultura em particular ou de uma influência religiosa."

"A lógica não admite", afirma Berg, "que a consciência possa ser encontrada no DNA, o que dá um enfático apoio à convicção cabalística de que ela é imortal e que irá, no decorrer do tempo, retornar com todas as suas memórias intactas, mesmo que inacessíveis." Por causa dessa inacessibilidade é que raramente nos lembramos objetivamente de algo do passado. E quando lembramos é um processo subjetivo, distante e variável de pessoa para pessoa, e conforme a necessidade.

Aprendemos, de um princípio científico, que "na natureza nada se cria ou se perde, apenas se transforma", e Rav Berg comenta: "... quem consegue se lembrar de detalhes do seu primeiro ano no mundo? ... apesar de que cada detalhe está lá, assim como os 'bits' no circuito de memória de um computador".

Esclarece-nos Rav Berg que "qualquer físico lhe dirá que matéria é energia, e que a energia não pode ser destruída. Dessa forma, tudo o que aconteceu em nossas vidas - nesta ou em qualquer uma das vidas anteriores - permanece armazenado e viável no universo."

Podemos conceber, então, que tanto a ciência espiritual como a psicologia, a física etc., nos sugerem os mesmos conceitos: inconsciente pessoal e coletivo, "guilgul" (reencarnação), registros akáshicos, samsara e tantos outros termos e conceitos que são usados nas mais diversas tradições religiosas e filosóficas.




Prof. Hermes Edgar Machado Junior (Issarrar Ben Kanaan)




Fonte da Gravura: https://pixabay.com/id/luar-kematian-744753/





Referência e sugestão de leitura: "Reencarnação - As Rodas da Alma", Rabino Philip S. Berg